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Educação • 08:21h • 04 de março de 2025

Confira o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho e na educação

Pesquisadores dizem que aprendizado e qualificação são fundamentais para os trabalhadores se adaptarem e não perder competitividade

Agência SP | Foto: Governo de SP

A longo prazo, a IA pode impactar positivamente a geração de empregos e o crescimento econômico.
A longo prazo, a IA pode impactar positivamente a geração de empregos e o crescimento econômico.

O mercado de trabalho está em constante transformação e, com o avanço das inteligências artificiais, os impactos da tecnologia no setor tornam-se cada vez mais evidentes, tanto a curto quanto a médio e a longo prazo. Muitas profissões já estão sendo afetadas e algumas podem até deixar de existir, como é o caso de operadores de call center e tradutores. Por outro lado, novas ocupações surgirão, impulsionadas pelas demandas tecnológicas.

Pesquisas indicam que a inteligência artificial tem potencial para gerar mais empregos do que substituir a mão de obra humana. Um estudo da PwC, empresa especializada em gestão de riscos corporativos, aponta que a IA pode criar cerca de 2,7 milhões de empregos líquidos apenas no Reino Unido até 2037. Além disso, a pesquisa CX Trends, da Zendesk, empresa de desenvolvimento de software, revela que 75% dos consumidores acreditam que a IA já está transformando a maneira como as empresas oferecem seus serviços.

Diante dessas transformações, o professor Evandro Eduardo Seron Ruiz, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, especialista em Ciências da Computação, destaca novas profissões que podem surgir ou serem impulsionadas pela inteligência artificial. No entanto, ele faz um alerta sobre a possibilidade de eliminação de algumas funções.

“A inteligência artificial é responsável por criar diversos novos postos de trabalho e por estimular outros já existentes, especialmente nas áreas de tecnologia da informação, marketing digital, ciência de dados e assistência virtual. Entretanto, funções baseadas majoritariamente em tarefas repetitivas, como vigilância, segurança, algumas administrativas simples e análises básicas de dados tendem a desaparecer com o tempo”, explica Ruiz.

O professor também ressalta as principais habilidades que os trabalhadores precisam desenvolver para se adaptar a esse novo cenário. “O primeiro passo é a alfabetização digital, que envolve a compreensão e o domínio das ferramentas digitais, como softwares de produtividade e plataformas de colaboração. Além disso, a adaptabilidade e a flexibilidade são essenciais, ou seja, a capacidade de se ajustar às novas condições, tecnologias e ambientes de trabalho”, enfatiza.

Impactos econômicos

Dando continuidade à análise dos impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, o professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, especialista em crescimento e desenvolvimento econômico, destaca os efeitos econômicos dessa tecnologia. No entanto, ele faz uma ressalva quanto às consequências no curto prazo.

“O crescimento e o desenvolvimento econômico dos países estão diretamente ligados ao avanço tecnológico, pois é ele que impulsiona a produtividade. De modo geral, o impacto tende a ser positivo, mas sempre há ganhadores e perdedores, especialmente no curto prazo. As novas tecnologias substituem determinados tipos de trabalho e produtos, o que pode gerar desafios para alguns setores. No entanto, indivíduos e empresas que souberem utilizar a IA para ampliar a produtividade e diversificar os serviços ofertados certamente terão vantagens competitivas. Por isso, é essencial que os trabalhadores se requalifiquem e que as empresas identifiquem novos nichos de mercado, caso contrário, perderão competitividade progressivamente.”

Nakabashi também aponta que o Brasil ainda não está totalmente preparado para lidar com essas transformações, mas acredita que no longo prazo a IA tende a impactar positivamente a geração de empregos e o crescimento econômico. “O Brasil ainda enfrenta dificuldades para acompanhar essas mudanças, principalmente por questões relacionadas à qualificação da mão de obra e à capacitação dos empresários. No entanto, é fundamental que as pessoas aproveitem as oportunidades criadas por essa nova tecnologia. A qualificação profissional torna-se indispensável, seja por meio de cursos ou do aprendizado contínuo no próprio ambiente de trabalho. O uso eficiente dessas inovações pode impulsionar a produtividade, fortalecer a economia e, consequentemente, gerar novos empregos.”

Educação e formação dos profissionais

Com as rápidas transformações impulsionadas pela inteligência artificial e suas implicações no mercado de trabalho, o professor José Eduardo Santarem Segundo, também da FFCLRP, especialista em Tecnologia da Informação, ressalta a importância de adaptar o sistema educacional para preparar profissionais para essa nova realidade. “É necessário inserir, gradativamente, formações, disciplinas e oficinas que permitam aos estudantes o contato com esse novo universo, no qual as inteligências artificiais estão cada vez mais presentes. Hoje, todas as áreas do conhecimento demandam o uso de IA no dia a dia, tornando impensável descartar essa tecnologia em qualquer setor”, explica.

O professor também sugere formas práticas de incorporar essa adaptação ao currículo acadêmico. “É fundamental reservar espaço nas grades curriculares para três ou quatro disciplinas que, em conjunto com estatística, ofereçam uma formação mínima, permitindo que os estudantes desenvolvam projetos de dados e apliquem algoritmos. Assim, eles poderão compreender as potenciais aplicações da IA dentro de suas respectivas áreas de conhecimento”, pontua.

Além disso, Santarem destaca três principais linhas de formação que devem ser estruturadas para capacitar profissionais nesse novo mercado.

“A primeira linha está diretamente relacionada à computação, matemática e estatística, voltada para aqueles que desejam estudar o aprimoramento dos algoritmos, dos modelos de aprendizado e o desenvolvimento de novas estruturas de dados. A segunda linha, de caráter mais aplicado, destina-se a profissionais da computação e engenharias, responsáveis pela infraestrutura computacional necessária para a implementação da IA. Já a terceira linha, que provavelmente absorverá mais profissionais, é a dos cientistas de dados – especialistas que projetam e aplicam sistemas de análise de dados, interpretando informações brutas para fornecer respostas estratégicas a problemas e demandas do dia a dia”, explica.

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