Ciência e Tecnologia • 14:10h • 24 de novembro de 2025
Compliance digital ganha força e exige novo perfil de treinamento nas empresas brasileiras
Com ataques cibernéticos em alta, especialistas alertam que capacitação contínua dos colaboradores é tão estratégica quanto tecnologia de proteção
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Experta Media | Foto: Arquivo/Âncora1
Na semana em que empresas reforçam protocolos de segurança digital para enfrentar o pico de golpes online da Black Friday, um novo alerta ganha espaço no ambiente corporativo: a vulnerabilidade não está apenas nos sistemas, mas também no comportamento dos colaboradores. Pesquisas recentes mostram que falhas humanas continuam sendo uma das principais portas de entrada para ataques digitais — e que investir em compliance digital se tornou tão necessário quanto investir em firewalls e antivírus.
Segundo estudo Datafolha encomendado pela Mastercard, 64% das empresas brasileiras sofrem fraudes ou ataques digitais com frequência, mas 23% delas ainda não tratam a cibersegurança como prioridade de orçamento. O dado expõe um contraste crítico entre percepção e ação: mesmo reconhecendo o risco, muitas companhias ainda não estruturam treinamentos regulares para suas equipes.
O problema se intensifica quando o fator humano é considerado. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) destaca que a maior parte dos incidentes poderia ser evitada com educação digital básica, cultura de compliance e protocolos claros de prevenção. Em um cenário cada vez mais digitalizado, a vulnerabilidade comportamental pesa tanto quanto falhas técnicas.
Para Marcelo Erthal, CEO do clickCompliance, o compliance digital funciona como a camada que conecta tecnologia, ética e legislação. “A cibersegurança protege dados e sistemas. O compliance digital define as regras que tornam essa proteção eficiente, ética e alinhada às normas”, explica. Com multas, sanções e impactos reputacionais crescentes, ignorar essa estrutura não é mais uma opção.
O levantamento Digital Trust Insights 2025, da PwC, reforça essa necessidade: um terço das empresas brasileiras perdeu ao menos US$ 1 milhão por ataques nos últimos três anos.
A Anbima publicou recentemente o guia técnico “Orientações para o treinamento de colaboradores em cibersegurança”, que reúne objetivos, práticas e métodos didáticos para elevar o nível de maturidade das equipes. Entre as recomendações, estão o acesso universal a princípios de governança, conteúdos atualizados sobre ameaças e simulações práticas, como phishing e ransomware.
Engajamento, no entanto, é a chave. Erthal acredita que a comunicação precisa ser criativa para funcionar: “É necessário presumir que normas e ética não despertam entusiasmo natural. Por isso, treinamentos temáticos, dinâmicas e gamificação tornam o processo mais leve e eficaz.”
A Anbima também incentiva recursos como jogos, simulações, ranking de desempenho e desafios. Além disso, reforça que colaboradores devem conhecer claramente os canais internos para relatar incidentes suspeitos — preferencialmente integrados a um canal de denúncias em compliance.
As orientações também incluem protocolos práticos para o dia a dia:
- Uso exclusivo do e-mail corporativo para fins profissionais;
- Senhas fortes ou “frases-senha” com 24 caracteres;
- Cautela com redes sociais e exposição de dados;
- Atenção à LGPD e às exigências sobre consentimento e transparência;
- Evitar redes Wi-Fi públicas para acessar contas, senhas ou sistemas internos;
- Domínio de procedimentos de classificação e proteção de informações.
O recado para as organizações é direto: não basta adquirir tecnologia. Sem colaboradores treinados, engajados e conscientes, qualquer empresa permanece exposta. Compliance digital deixou de ser diferencial e passou a ser estrutura de sobrevivência.
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