Responsabilidade Social • 13:43h • 13 de junho de 2026
Como a água do mar pode virar água potável? Conheça a tecnologia que chegará a Ilhabela
Tecnologia de 'osmose reversa' será usada para tratamento de água salobra; obras fazem parte do avanços dos investimentos após a desestatização da Sabesp
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
O município de Ilhabela, no litoral norte, foi escolhido para abrigar a primeira usina pública de dessalinização de água do mar em São Paulo. As obras fazem parte do aumento nos investimentos em saneamento básico após a desestatização da Sabesp pelo Governo de São Paulo, que permitiram ampliação de 120% nos recursos.
Com total previsto de R$ 56,4 milhões, a usina terá capacidade de produzir 20 litros de água potável por segundo, aumentando em 20% a capacidade de abastecimento local, que enfrenta sérios problemas com a alta do consumo na temporada de verão e dificuldade de captação de água doce em mananciais, já que o município é formado por um conjunto de 14 ilhas e ilhotas.
Como funciona
A tecnologia para transformar a água salgada ou salobra (com menor quantidade de sal) em potável usa o sistema de ‘osmose reversa’, utilizado em larga escala em países como Israel e Arábia Saudita para atender suas respectivas demandas hídricas. A Sabesp já utiliza essa tecnologia em algumas estações de tratamento da Grande São Paulo, mas essa será a primeira vez que será utilizada para filtrar água do mar.
Diferentemente do sistema convencional, onde a purificação passa por vários processos, como coagulação, tanques de decantação e filtragem para retirar impurezas, o sistema de ultrafiltração por osmose reversa pressiona a água salobra contra uma fina membrana de porosidade milimétrica capaz de reter o sais dissolvidos e qualquer outra partícula de sujeira presente. Após a eliminação das impurezas, a água passa por tratamento químico, com cloro e flúor, para torná-la potável e segura para o consumo.
Não existe diferença de qualidade de água tratada no processo convencional e por ultrafiltragem. Os dois processos passam por rígido controle de dosagem de produto químico e do padrão de qualidade, e atendem em 100% o padrão de potabilidade exigido pelo Ministério da Saúde, segundo a Sabesp.
Além do custo menor de implantação, outra vantagem da usina de dessalinização está no fato de não depender do nível de chuvas da região, garantindo previsibilidade na produção de água potável e maior resiliência hídrica ao município.
Bairros beneficiados
A nova usina vai beneficiar moradores e os visitantes das regiões central e norte da ilha, desde Piuva/Barra Velha até Ponta das Canas, passando por Green Park, Reino, Itaguaçu, Itaquanduba, Engenho D’Água, Saco da Capela, Centro, Praia Feia, Barreiros, Siriuba, Pedra do Sino e Armação. A obra tem previsão de término de três anos.
Investimento em saneamento
A expansão dos serviços ocorre em meio ao aumento dos investimentos da Sabesp. Em 2025, foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela companhia, valor 120% maior em comparação ao ano anterior. Os investimentos têm como foco a ampliação da cobertura de saneamento e a melhoria dos padrões de qualidade dos serviços.
A coleta e o tratamento de esgoto chegaram a mais de 4,3 milhões de pessoas com a expansão de ligações da Sabesp. O cumprimento das metas de acesso à água, coleta e tratamento de esgoto alcançaram, respectivamente, 87%, 77% e 71% ao fim do primeiro trimestre de 2026.
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