Economia • 14:13h • 21 de abril de 2026
Combustíveis se estabilizam em nível alto em abril, com etanol como alternativa parcial
Relatório do IBPT aponta desaceleração após pico de março, mas destaca desigualdade regional e pressão contínua sobre custos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Na Comunicação | Foto: Divulgação
O mercado de combustíveis no Brasil entrou em uma fase de estabilização ao longo de abril, após um período de alta intensa registrado em março. Apesar da desaceleração, os preços permanecem em patamares elevados, mantendo pressão sobre fretes, cadeias produtivas e o custo de vida. A análise é do quinto relatório do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
Em março, o diesel acumulou aumentos próximos de 25%, configurando um dos principais vetores inflacionários do período. Já em abril, o cenário mudou para uma acomodação dos preços, sem uma queda consistente. Na prática, o impacto do aumento foi absorvido, mas continua presente na estrutura de custos da economia.
Etanol ganha espaço, mas efeito é limitado
Com a manutenção dos preços elevados de diesel e gasolina, o etanol passou a ter papel mais relevante em algumas regiões. O biocombustível registrou queda em áreas com maior produção, especialmente no Sul e Sudeste, funcionando como uma alternativa para parte dos consumidores.
Esse movimento, no entanto, não representa um alívio estrutural. Segundo o IBPT, trata-se de uma reorganização do mercado diante do cenário de pressão, com o etanol atuando como um amortecedor pontual e regionalizado.
Mercado segue pressionado após alta de março
A estabilização observada em abril não indica uma reversão da tendência anterior, mas sim uma transição para um novo patamar de preços. O diesel continua elevado e impactando diretamente custos logísticos, transporte de mercadorias e serviços.
De acordo com o diretor do IBPT, Carlos Alberto Pinto Neto, o setor opera em um cenário de cautela, buscando garantir abastecimento diante da incerteza nos custos de reposição. Esse movimento contribui para manter os preços sustentados, mesmo após o pico de alta.
Carlos Pinto, diretor do IBPT | Foto: Divulgação
Diferenças regionais ampliam impacto
O relatório também aponta uma forte desigualdade regional na dinâmica dos combustíveis. Enquanto o Centro-Sul consegue mitigar parte dos efeitos com o uso do etanol, regiões como Norte e Nordeste seguem mais expostas à volatilidade do mercado internacional.
No Nordeste, o diesel acumulou altas superiores a 30% no período pós-choque, refletindo maior dependência de importação e custos logísticos mais elevados. No Norte, o cenário é semelhante, com menor capacidade de absorção das oscilações.
Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT | Foto: Divulgação
Essa fragmentação evidencia limitações estruturais do país, especialmente na infraestrutura de transporte e refino, o que amplia o impacto de crises externas sobre determinadas regiões.
Tendência aponta para pressão prolongada
A leitura do IBPT indica que o país entrou em uma fase de preços estabilizados, porém elevados e com efeitos prolongados. Sem avanços estruturais em logística, produção e política energética, a tendência é de manutenção da pressão sobre inflação e competitividade.
O cenário reforça que, além das variações de curto prazo, o mercado de combustíveis no Brasil segue condicionado a fatores estruturais e à dependência de oscilações internacionais.
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