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Variedades • 17:30h • 11 de setembro de 2026

Coluna: Melhor prevenir, do que remediar

Diante de eventos extremos cada vez mais presentes, empresas e órgãos públicos precisam transformar previsões e alertas em protocolos capazes de proteger pessoas, atividades e patrimônio

Coluna | Ana Clara Vasques Gimenez | Foto: Âncora1

Quando o alerta chega antes da tempestade, ignorar o risco também é uma escolha
Quando o alerta chega antes da tempestade, ignorar o risco também é uma escolha

Prevenir não é ceder ao medo, mas ter a prudência como parte do planejamento, sabendo que a reparação custa mais caro, em dinheiro, em tempo e, sobretudo, em vidas.

As forças da natureza não acompanham a rotina administrativa das empresas e dos entes públicos. Uma enchente, por exemplo, não suspende os seus efeitos até que determinada instituição alcance consenso sobre a gravidade do risco, pois a característica da natureza é justamente essa, ser natural: ela acontece.

O chamado “super El Niño” tem ocupado o centro das preocupações meteorológicas, desde as informações oficiais como do Instituto Nacional de Meteorologia, o qual afirmou que em setembro de 2026, a probabilidade de o fenômeno atingir a classificação de “super evento climático” na primavera e verão de 2026/2027, supera 90%, com expectativa de chuvas acima da média em partes do Sul, de São Paulo e de Mato Grosso do Sul, enquanto outras regiões poderão enfrentar estiagem, calor e maior risco de incêndios.

Embora a previsão climática não seja profecia, serve de estimativa com técnicas científicas de probabilidade e, nesse espaço entre a certeza absoluta e o risco provável, superar o negacionismo institucional seja fundamental. Mas por quê?

Negar nem sempre significa declarar que a mudança climática não existe, pois existem formas discretas de fazê-lo, como ignorar possíveis efeitos da crise climática, devidamente alertados, ao manter calendários, deslocamentos, eventos e atividades sem um plano estratégico de contingência, o que, na realidade, representa apenas inércia com uma boa aparência.

Enquanto instituições se valem da segurança e normalidade, porque facilita o controle, eventos excepcionais ultrapassam a alçada administrativa e prejudicam os despreparados, bem como aqueles que não se previnem com protocolos de atuação emergente, capazes de proteger pessoas sem paralisar completamente as atividades.

Algumas medidas são capazes de manter a agenda original, sem prejudicar a condução das atividades, enquanto garante segurança e sustentabilidade das pessoas e outros empreendimentos. Atitudes simples, contidas em um possível plano de contingência das instituições são manifestações de responsabilidade, como exemplo, sugiro: remarcar compromissos presenciais, adoção temporária de atividades remotas, reorganização de jornadas, flexibilização justificada de presenças, suspensão preventiva de deslocamentos, dentre outras situações que caibam na realidade cotidiana.

Na advocacia extrajudicial, aprendi que a prevenção sempre custa menos do que o conflito, ao elaborar um bom contrato e evitar anos de processos litigiosos, evitando perdas patrimoniais graças à uma análise das circunstâncias. Neste sentido, criar protocolos internos reduz acidentes e danos à reputação e, com os riscos climáticos, a lógica é de prevenir com planejamento.

A Organização das Nações Unidas estima que apenas 24 horas de antecedência na emissão de um alerta sobre um evento perigoso podem reduzir os danos econômicos subsequentes em até 30% . Portanto, ter prudência representa uma boa gestão.

O setor empresarial começou a compreender essa relação, ao identificar como as ações ambientais representam oportunidades econômicas. Especificamente, uma análise divulgada pelo CDP em 2025, baseada em informações declaradas por quase 25 mil empresas, indicou que investimentos destinados à mitigação de riscos climáticos físicos podem gerar retorno médio potencial de até oito dólares para cada dólar aplicado, chegando, em alguns casos, a 21 dólares , representando um dever para aqueles que almejam a continuidade econômica de suas instituições.

Isso fica ainda mais em evidência no cenário brasileiro, se comparado com outros países, considerando que o Brasil, desde outubro de 2025, possui o sistema “Defesa Civil Alerta”, baseado na tecnologia Cell Broadcast , que permite o envio de mensagens diretamente aos celulares conectados às redes 4G e 5G nas áreas ameaçadas, sem necessidade de cadastro, inclusive com aviso sonoro em aparelhos bloqueados ou no modo silencioso. Enquanto, segundo as Nações Unidas, 119 países possuem algum sistema de alerta precoce, com alcance de somente 52% dos países menos desenvolvidos e 43% dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento.

Ter tecnologia e instituições capazes de monitorar o risco é uma vantagem relevante, por isso desconsiderar as mudanças climáticas e os benefícios dos sistemas de previsão é inconsequência e desperdício, com desafio em criar uma cultura que saiba agir diante da previsão, lembrando que o dever de cuidado ambiental pertence a todos.

A boa prevenção quase nunca produz fotografias dramáticas, mas sim ausência de lesão e dano. Enfim, podemos discutir o nome do fenômeno, revisar modelos e aperfeiçoar previsões, só não podemos transformar em omissão.

Cuidar antes é planejamento e sustentabilidade.

Ana Clara Vasques Gimenez
Colunista

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