Ciência e Tecnologia • 15:49h • 06 de agosto de 2026
CNPq abre edital de R$ 60 milhões para pesquisas sobre endometriose; inscrições vão até 12 de agosto
Chamada pública financiará projetos voltados ao SUS e busca avanços no diagnóstico, tratamento, prevenção e impacto social da doença
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Brasil | Foto: Divulgação
Pesquisadores de todo o país têm até 12 de agosto, próxima quarta-feira, para inscrever propostas na chamada pública lançada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que vai destinar R$ 60 milhões para pesquisas sobre endometriose, dor pélvica e saúde menstrual. O objetivo é incentivar o desenvolvimento de tecnologias, produtos e soluções que possam ser aplicados no Sistema Único de Saúde (SUS).
O investimento reúne R$ 50 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e outros R$ 10 milhões do grupo Alana, responsável por apoiar a criação de uma rede nacional de pesquisa voltada ao tema.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento científico sobre uma doença que afeta milhões de mulheres e que, em muitos casos, ainda demora anos para ser diagnosticada.
Cinco áreas de pesquisa terão prioridade
As propostas apresentadas deverão estar enquadradas em um dos cinco eixos definidos pelo edital:
- Causas e prevenção da endometriose;
- Diagnóstico;
- Tratamento;
- Criação de biorrepositórios para pesquisas;
- Impacto social da doença e da saúde menstrual.
Entre os diferenciais da chamada está justamente a inclusão do eixo voltado ao impacto social, ampliando as pesquisas para além dos aspectos clínicos e biológicos da doença.
Segundo o grupo Alana, essa abordagem permitirá compreender melhor os efeitos da endometriose na educação, no trabalho, na qualidade de vida e nas desigualdades enfrentadas por mulheres e pessoas que menstruam.
Edital é destinado a pesquisadores com doutorado
O edital estabelece que o responsável pela proposta deverá possuir título de doutor, atuar como coordenador do projeto e manter vínculo formal com a instituição responsável pela execução da pesquisa.
Os projetos selecionados também servirão de base para a formação de uma rede nacional estruturada de pesquisa sobre endometriose e saúde menstrual.
O resultado da seleção está previsto para ser divulgado no dia 2 de dezembro.
Dor menstrual ainda afeta milhões de estudantes e trabalhadoras
Dados divulgados em 2026 pelo grupo Alana e pelo Instituto Equidade.info reforçam a importância da iniciativa.
Segundo a pesquisa, seis em cada dez estudantes dos ensinos fundamental e médio que menstruam relatam cólicas moderadas ou fortes, capazes de interferir na rotina escolar e exigir uso de medicamentos.
O levantamento mostra ainda que quatro em cada dez alunas faltam às aulas todos os meses em razão da dor.
Além dos impactos na educação, as cólicas intensas, principal sintoma da endometriose, também afetam o mercado de trabalho. O estudo aponta que mulheres podem perder, em média, até 10,8 horas de trabalho por semana devido aos sintomas da doença.
A expectativa do edital é que novas pesquisas contribuam para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais eficazes e políticas públicas capazes de reduzir os impactos da endometriose na vida de milhões de brasileiras.
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