Saúde • 07:26h • 26 de agosto de 2026
Câncer de pulmão: quase 90% dos casos no SUS são descobertos em estágio avançado
Levantamento com dados de 2020 a 2026 mostra que 87,9% dos pacientes com estadiamento conhecido chegaram ao diagnóstico nos estágios III ou IV; demora para iniciar o tratamento também preocupa
Da Redação | Com informações da Sensu Comunicação | Foto: Divulgação
Quase 9 em cada 10 pacientes com câncer de pulmão atendidos pelo SUS e com estágio da doença conhecido foram diagnosticados já em fases avançadas. Entre 2020 e 2026, dos 50.098 registros com essa informação, 44.042, ou 87,9%, estavam nos estágios III ou IV. No estágio IV, quando a doença já se espalhou para outras partes do organismo, estavam 64,2% dos casos. Os números são do Painel-Oncologia, do Ministério da Saúde, e integram um levantamento do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) para a campanha Agosto Branco.
No período, o painel contabilizou 81.421 registros de câncer de pulmão. A análise considera apenas os casos em que havia informação sobre o estadiamento para calcular a proporção de diagnósticos avançados. Como a base é atualizada continuamente, especialmente os registros mais recentes ainda podem passar por consolidação.
O cenário preocupa diante da estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de aproximadamente 35.380 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Para o GBOT, reduzir a mortalidade passa não apenas pela prevenção, mas também por acelerar a investigação de casos suspeitos e o acesso ao tratamento.
Diagnóstico avançado passa de 90% no Centro-Oeste
A proporção de pacientes diagnosticados nos estágios III ou IV é elevada em todas as regiões. Entre os casos com estadiamento conhecido, chega a 92,4% no Centro-Oeste, 89,7% no Norte e Nordeste, 88,4% no Sudeste e 84,9% no Sul.
Outro dado chama atenção para o tempo entre diagnóstico e tratamento. Entre os 60.312 registros que informavam esse intervalo, 34,2% indicavam espera superior a 60 dias. Outros 25% começaram o tratamento entre 31 e 60 dias e 40,9%, em até 30 dias.
Mesmo entre pacientes diagnosticados mais cedo, há registros de demora. No estágio I, 50,9% dos casos com essa informação iniciaram o tratamento depois de mais de 60 dias. No estágio II, a proporção chegou a 54,4%.
Acesso a exames também é desigual
O levantamento do GBOT destaca ainda diferenças entre o SUS e a saúde suplementar no acesso à medicina de precisão. Estudos publicados pela entidade apontam que 43,9% dos oncologistas do SUS relataram acesso regular a exames para identificar alterações moleculares como ALK, ante 93,9% entre profissionais da saúde suplementar.
Esses testes ajudam a identificar características específicas do tumor que podem orientar a escolha de terapias-alvo. Para o GBOT, os números reforçam que enfrentar o câncer de pulmão exige uma linha de cuidado que consiga levar o paciente da suspeita e do diagnóstico ao tratamento adequado sem atrasos que possam comprometer suas possibilidades terapêuticas.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro