Saúde • 09:14h • 04 de novembro de 2026
Câncer de intestino: SUS começa a implantar teste que pode ser coletado em casa
Teste poderá ser feito com coleta de fezes em casa e será oferecido gradualmente nas UBSs para homens e mulheres de 50 a 75 anos, começando pelas maiores cidades
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
O Ministério da Saúde prevê iniciar em novembro de 2026 a implantação gradual de um novo exame para rastreamento do câncer de intestino pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O teste imunoquímico fecal, conhecido como FIT, será destinado inicialmente a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas da doença. A estratégia começará pelas capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes, com distribuição prevista de 400 mil testes aos estados.
A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde em outubro e busca identificar alterações intestinais antes do aparecimento dos primeiros sintomas. O exame detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes que não são visíveis a olho nu e podem estar relacionadas à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal.
A implantação ocorrerá por etapas, conforme a organização das redes municipais de saúde. Por isso, a previsão de início em novembro não significa que o exame estará disponível imediatamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Em cidades como Assis, que não integram o grupo inicial de municípios com mais de 500 mil habitantes, ainda será necessário aguardar a ampliação da estratégia.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a periodicidade prevista para o rastreamento é de dois anos. O procedimento foi incluído na tabela do SUS em agosto de 2026, como parte das medidas para ampliar a detecção precoce da doença.
Como funciona o novo exame de câncer de intestino
Uma das principais vantagens do FIT é a possibilidade de realizar a coleta em casa. O paciente recebe um kit com uma haste apropriada e um tubo coletor, utilizado para armazenar uma pequena amostra das fezes, posteriormente encaminhada para análise laboratorial.
Diferentemente de métodos tradicionais de pesquisa de sangue oculto, o exame utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano. Segundo o Inca, o procedimento exige apenas uma amostra, dispensa preparo intestinal e não necessita de dieta restritiva antes da coleta.
Caso o resultado seja positivo, o paciente deverá passar por investigação complementar. Isso não significa necessariamente um diagnóstico de câncer, mas indica a presença de sangue oculto que precisa ter sua origem esclarecida.
A colonoscopia é um dos principais exames utilizados nessa etapa. O procedimento permite observar o interior do intestino, identificar alterações, coletar material para biópsia e retirar pólipos quando necessário. A remoção dessas lesões pode evitar que algumas evoluam para câncer.
Quem tem sintomas não deve esperar pelo rastreamento
A faixa etária de 50 a 75 anos corresponde ao público definido para o rastreamento de pessoas sem sintomas. Quem apresenta sinais suspeitos deve procurar atendimento médico independentemente da idade ou da disponibilidade do novo teste em seu município.
Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, dor abdominal, perda de peso sem explicação e anemia. Esses sintomas também podem estar associados a outras condições de saúde, mas precisam ser investigados.
A avaliação pode começar na Unidade Básica de Saúde, onde a equipe médica considera os sintomas, os antecedentes pessoais e o histórico familiar para definir os exames necessários. Pessoas com familiares que tiveram câncer colorretal podem precisar de acompanhamento específico, conforme a avaliação individual de risco.
O Inca estima aproximadamente 53,8 mil novos casos de câncer de intestino por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A detecção precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento e permitir a identificação de lesões antes que se tornem malignas.
Além do acompanhamento médico, medidas como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção do peso saudável e redução do consumo de bebidas alcoólicas e tabaco ajudam a diminuir o risco da doença. O Inca também recomenda evitar carnes processadas, como salsicha, presunto, linguiça e bacon.
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