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Ciência e Tecnologia • 10:11h • 08 de junho de 2026

Células-tronco podem abrir nova alternativa para doença grave que afeta transplantados

Estudo da PUCPR utilizará terapia celular em pacientes com Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro crônica resistente aos tratamentos convencionais

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PG1 | Foto: PUCPR/Gian Galani

Pesquisa brasileira aprovada pela Anvisa testa células-tronco contra complicação grave após transplante de medula; primeiros atendimentos estão previstos para setembro de 2026
Pesquisa brasileira aprovada pela Anvisa testa células-tronco contra complicação grave após transplante de medula; primeiros atendimentos estão previstos para setembro de 2026

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) receberam aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar um ensaio clínico que utilizará células-tronco mesenquimais no tratamento da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH) crônica. Considerada uma das complicações mais graves após o transplante de medula óssea, a condição ocorre quando células do doador passam a atacar o organismo do receptor. O início do tratamento dos pacientes está previsto para setembro de 2026.

O estudo é conduzido pelo Centro de Tecnologia Celular (CTC) da PUCPR, sob coordenação da pesquisadora Carmen Kuniyoshi Rebelatto e com responsabilidade técnica do médico Paulo Brofman. A pesquisa buscará avaliar a segurança e a tolerabilidade de uma terapia desenvolvida pela própria instituição, chamada MesenCell, um produto biológico composto por células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea.

A DECH crônica representa um dos principais desafios enfrentados por pacientes submetidos ao transplante de medula. Além de comprometer órgãos e tecidos, a doença pode provocar complicações severas, exigindo tratamentos prolongados e reduzindo significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Terapia busca alternativa para casos resistentes

Embora existam tratamentos disponíveis, parte dos pacientes não responde adequadamente às terapias de primeira linha, especialmente aquelas baseadas em corticosteroides. Nesses casos, as opções terapêuticas tornam-se mais limitadas, principalmente dentro da rede pública de saúde.

Segundo Carmen Kuniyoshi Rebelatto, muitos desses pacientes enfrentam longos períodos de internação e necessidade de acompanhamento intensivo. "Esses pacientes frequentemente necessitam de internações prolongadas e de tratamentos intensivos, o que sobrecarrega o sistema de saúde e compromete significativamente a qualidade de vida desses pacientes", explica.

Como alternativa, o MesenCell foi desenvolvido para atuar na modulação da resposta imunológica do organismo. A proposta é reduzir a inflamação provocada pela doença e contribuir para uma recuperação mais eficiente dos pacientes.

O protocolo aprovado prevê a aplicação de três doses da terapia, em intervalos semanais, com acompanhamento clínico durante um período de até 12 meses após a primeira infusão.


Pesquisa da PUCPR testa terapia inovadora para pacientes resistentes a tratamento pós-transplante

Resultados anteriores aumentam expectativa dos pesquisadores

O ensaio clínico envolverá 20 pacientes com DECH crônica resistente a corticosteroides atendidos em três centros de referência: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças.

A expectativa dos pesquisadores é sustentada por resultados observados em experiências anteriores com um produto semelhante, também baseado em células-tronco mesenquimais. De acordo com os dados apresentados pela equipe, a terapia registrou taxa de resposta global de 80%, incluindo 50% de remissão completa dos casos acompanhados.

Os resultados também apontaram resposta completa em todos os pacientes com manifestações cutâneas avaliadas, além de melhora em casos com comprometimento gastrointestinal e na cavidade oral. Outro dado relevante foi a redução ou suspensão do uso de imunossupressores em 60% dos pacientes acompanhados.

Além dos benefícios clínicos, os pesquisadores acreditam que a terapia poderá contribuir para reduzir internações prolongadas e procedimentos de alta complexidade, gerando impacto positivo tanto para os pacientes quanto para o sistema de saúde. "Esta iniciativa busca transformar uma inovação tecnológica em uma alternativa terapêutica concreta para uma condição de manejo clínico complexo", destaca Carmen Kuniyoshi Rebelatto.


Anvisa aprova estudo brasileiro com células-tronco para complicação grave após transplante de medula

Pesquisa recebeu mais de R$ 7 milhões em investimentos

O desenvolvimento do estudo contou com financiamento público para diferentes etapas da pesquisa. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) destinou R$ 5.623.522,00 para a realização do ensaio clínico em humanos. Já o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aportou R$ 1.500.970,00 para os estudos pré-clínicos realizados em animais.

A pesquisa é desenvolvida de forma multicêntrica, envolvendo equipes da PUCPR, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), do Hospital Nossa Senhora das Graças e do Hospital Erasto Gaertner. Caso os resultados confirmem a segurança e a eficácia esperadas, o estudo poderá abrir caminho para novas aplicações de terapias celulares em doenças inflamatórias complexas tratadas no Brasil.

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