Ciência e Tecnologia • 19:09h • 21 de outubro de 2026
Cientistas descobrem como identificar sinais ocultos de buracos negros nas ondas gravitacionais
Estudo aponta que o futuro observatório espacial LISA poderá identificar interferências produzidas pela gravidade de galáxias, abrindo novas possibilidades para investigar fenômenos cósmicos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Aanda | Foto: Divulgação
Um estudo científico publicado em 2026 investigou como o futuro observatório espacial LISA poderá identificar padrões de interferência em ondas gravitacionais emitidas por pares de buracos negros supermassivos em processo de aproximação e fusão. A pesquisa, conduzida por Hengyu Wu, Tonghua Liu e Kai Liao, indica que esses sinais podem revelar um fenômeno conhecido como lente gravitacional forte, no qual a gravidade de estruturas massivas altera o percurso das ondas pelo Universo.
As ondas gravitacionais são pequenas perturbações no espaço-tempo produzidas por eventos cósmicos extremos, como a fusão de buracos negros. Previstas pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein, foram detectadas diretamente pela primeira vez em 2015, inaugurando uma nova maneira de observar fenômenos que não dependem da emissão de luz.
O estudo analisa o que acontece quando ondas gravitacionais atravessam regiões influenciadas pela gravidade de galáxias massivas. Nessas condições, um mesmo sinal pode percorrer trajetórias diferentes e chegar ao detector em momentos distintos, com intensidades variadas.
Quando essas ondas se sobrepõem, podem produzir um padrão de interferência semelhante ao fenômeno de batimento observado na acústica, quando sons de frequências próximas se combinam e provocam oscilações periódicas de intensidade.
Simulações identificam sinais em 7% dos eventos analisados
Para avaliar a possibilidade de detectar esse fenômeno, os pesquisadores utilizaram modelos matemáticos e simulações de sinais gravitacionais que poderiam ser observados pelo LISA.
Entre 196 eventos simulados nos quais duas imagens gravitacionais seriam detectáveis, 92 apresentaram condições para que os sinais se sobrepusessem no tempo. Desse grupo, 14 produziram padrões de interferência considerados identificáveis pelos critérios adotados na pesquisa.
O resultado corresponde a aproximadamente 7% dos 196 eventos analisados, indicando que o fenômeno poderá ser reconhecido em uma parcela específica das ondas gravitacionais submetidas ao efeito de lentes gravitacionais fortes.
Os pesquisadores observaram que a identificação é favorecida quando a diferença entre os tempos de chegada dos sinais é relativamente pequena e a segunda onda apresenta intensidade suficiente para produzir uma interferência perceptível.
Essa estimativa depende dos modelos utilizados e não representa uma taxa de detecção já confirmada por observações reais.
Por que o observatório LISA será importante
Diferentemente dos detectores terrestres, que observam sinais gravitacionais geralmente mais curtos, o LISA será projetado para captar ondas de baixa frequência, capazes de permanecer detectáveis durante meses ou até anos.
Essa característica poderá permitir que diferentes trajetórias de uma mesma onda gravitacional sejam observadas simultaneamente, tornando possível reconhecer os padrões investigados no estudo.
O projeto espacial também deverá ampliar a capacidade de estudar sistemas de buracos negros massivos e investigar propriedades da gravidade em escalas cósmicas.
Além da identificação das lentes gravitacionais, os pesquisadores apontam que esses sinais poderão contribuir futuramente para estudos sobre matéria escura, características das galáxias e parâmetros relacionados à expansão do Universo.
Entretanto, os autores destacam que ainda serão necessárias análises adicionais para distinguir interferências realmente produzidas por lentes gravitacionais da sobreposição acidental de ondas emitidas por fontes diferentes.
Até o momento, não existe confirmação observacional conclusiva de ondas gravitacionais submetidas ao efeito de lentes gravitacionais. Os resultados apresentados são teóricos e demonstram uma possibilidade de identificação para futuras observações espaciais.
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