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Ciência e Tecnologia • 16:16h • 17 de julho de 2025

Ciência explica diferença entre homens e mulheres no risco de doenças cardíacas

Estudo pré-clínico identifica como hormônio feminino protege contra danos causados pela hipertensão, abrindo caminho para tratamentos específicos

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Universidade de Monash | Foto: Divulgação

Cientistas revelam ligação entre estrogênio e saúde do coração em mulheres
Cientistas revelam ligação entre estrogênio e saúde do coração em mulheres

Um novo estudo pré-clínico da Monash University esclareceu o papel do hormônio sexual feminino estrogênio na proteção do coração de mulheres com pressão alta, uma relação que, até agora, não era totalmente compreendida pela ciência.

A pesquisa, liderada pelo Monash Institute of Pharmaceutical Sciences (MIPS) e publicada na revista Communications Biology, do grupo Nature, demonstrou que o estrogênio aumenta os níveis de uma proteína natural chamada annexina-A1 (ANXA1) em camundongos fêmeas. Em estudos anteriores, a equipe do MIPS já havia mostrado que a ANXA1 exerce papel essencial na regulação da pressão arterial.

No trabalho atual, os pesquisadores descobriram que a ausência da ANXA1 leva a danos mais graves no coração e nos principais vasos sanguíneos em situações de hipertensão, especialmente em fêmeas. Os resultados sugerem que a associação entre estrogênio e ANXA1 é fundamental para proteger o coração feminino contra os efeitos nocivos da pressão alta, o que abre caminho para novos tratamentos, como medicamentos que imitam a ação da ANXA1.

O primeiro autor do estudo e pesquisador honorário da Monash University, Dr. Jaideep Singh, explicou que a pesquisa ajuda a entender por que mulheres podem manifestar doenças cardíacas de forma diferente dos homens, sobretudo quando enfrentam hipertensão. “Nosso estudo revela um elo biológico entre o hormônio feminino estrogênio e a proteína ANXA1 que protege o coração — algo que os cientistas ainda não tinham compreendido por completo. Descobrimos que o estrogênio aumenta os níveis de ANXA1 e, quando essa proteína está ausente, o coração fica mais vulnerável a danos devido ao mau funcionamento mitocondrial, o sistema energético do corpo”, disse Singh.

Essa descoberta representa um passo importante para o desenvolvimento de tratamentos cardíacos personalizados para mulheres, preenchendo uma lacuna histórica na pesquisa médica. “Estamos animados com o potencial dessa descoberta para o futuro desenvolvimento de novas terapias que elevem os níveis de ANXA1, oferecendo melhor proteção para mulheres com pressão alta”, completou Singh. “Esses tratamentos poderiam prevenir problemas sérios como insuficiência cardíaca, considerando as características únicas do coração e dos vasos sanguíneos femininos. Também destaca a importância de os médicos levarem em conta as diferenças entre os sexos ao tratar doenças cardíacas.”

A coautora e também pesquisadora do MIPS, Dra. Chengxue Helena Qin, enfatizou que há um grande déficit no entendimento sobre como a hipertensão e seus tratamentos afetam homens e mulheres de forma diferente. “Os ensaios clínicos historicamente negligenciaram as respostas específicas por sexo, deixando as mulheres sub-representadas e com menos opções de tratamento”, afirmou.


Dra. Chengxue Helena Qin e Dr. Jaideep Singh | Foto: Monash/Divulgação

“Há uma necessidade urgente de desvendar os mecanismos distintos que causam hipertensão e suas complicações cardiovasculares nas mulheres — uma população ainda pouco estudada. Fechar essa lacuna de conhecimento é essencial para criar terapias mais eficazes e específicas”, acrescentou Qin.

Segundo ela, o próximo passo será investigar como o estrogênio controla a ANXA1 em humanos, para verificar se o mesmo mecanismo encontrado nos animais se confirma em pessoas. A equipe também planeja testar novos medicamentos que elevem os níveis de ANXA1 em estudos com animais para avaliar se conseguem proteger o coração contra os danos provocados pela pressão alta. Além disso, pretendem investigar se esse sistema de proteção tem papel em outras condições cardíacas que afetam homens e mulheres de formas distintas.

O professor David Greening, coautor sênior do estudo e chefe de Proteômica Molecular no Baker Heart and Diabetes Institute, destacou a importância do trabalho. “Esse estudo mostra o poder da proteômica — o estudo em larga escala das proteínas — para avançar na compreensão das causas de doenças cardíacas e vasculares. Também oferece insights moleculares detalhados sobre por que homens e mulheres vivem essas condições de forma diferente, ajudando a criar terapias mais precisas e direcionadas para hipertensão e problemas cardíacos relacionados”, concluiu.

A equipe de pesquisa espera avançar esses achados até testes clínicos, com o objetivo de beneficiar especialmente mulheres que sofrem de pressão alta.

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