Saúde • 10:03h • 05 de junho de 2026
Ácido fólico na gravidez exige orientação individualizada
Especialistas alertam que tanto a deficiência quanto o excesso da vitamina podem trazer riscos; avaliação clínica e laboratorial ajuda a definir a dose mais adequada para cada gestante
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
A suplementação de ácido fólico continua sendo uma das medidas mais importantes para a saúde da gestante e do bebê, especialmente na prevenção dos defeitos do tubo neural, malformações que afetam o cérebro e a medula espinhal. No entanto, estudos recentes reforçam que o uso da vitamina deve ser feito de forma equilibrada e personalizada, evitando tanto a deficiência quanto o excesso.
O ácido fólico é a versão sintética do folato, conhecido como vitamina B9. As recomendações mais aceitas indicam a ingestão diária de 400 a 800 microgramas, preferencialmente iniciada antes da gravidez e mantida durante os primeiros meses de gestação. Nessa faixa, os benefícios para a prevenção de malformações são amplamente reconhecidos.
Em alguns casos, como mulheres com histórico de gestação afetada por defeitos do tubo neural, obesidade, diabetes ou que passaram por cirurgia bariátrica, podem ser necessárias doses maiores, sempre com orientação médica. Especialistas alertam, porém, que o uso indiscriminado de doses elevadas não traz benefícios adicionais comprovados para a maioria das gestantes.
Pesquisas recentes investigam possíveis impactos de níveis muito altos de ácido fólico durante a gravidez. Embora não exista comprovação de relação direta entre o excesso da vitamina e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), cientistas observam que tanto a falta quanto o excesso podem estar associados a resultados desfavoráveis em determinadas situações.
Os especialistas descrevem esse comportamento como uma relação em formato de “U”, na qual níveis muito baixos aumentam riscos conhecidos, enquanto concentrações excessivas também podem trazer efeitos indesejados. Por isso, o foco deve estar na dose adequada para cada mulher.
Outro ponto de atenção é a relação entre o ácido fólico e a vitamina B12. O equilíbrio entre esses nutrientes é considerado importante para o desenvolvimento fetal e da placenta. A deficiência de vitamina B12, especialmente quando combinada com excesso de ácido fólico, merece acompanhamento durante o pré-natal.
Nesse contexto, exames laboratoriais podem auxiliar na avaliação do estado nutricional da gestante. Testes que medem os níveis de folato, vitamina B12, homocisteína e outros indicadores ajudam os profissionais de saúde a ajustar a suplementação quando necessário.
A tendência atual é adotar uma abordagem mais individualizada, considerando as características clínicas, nutricionais e laboratoriais de cada paciente. Em vez de manter doses elevadas durante toda a gravidez, especialistas defendem ajustes conforme as necessidades de cada gestante.
No Brasil, as apresentações de ácido fólico disponíveis no sistema público incluem comprimidos de 5 mg e solução oral. Para mulheres que precisam apenas das doses habituais recomendadas, a formulação líquida pode facilitar o uso adequado do medicamento.
Pesquisadores também estudam alternativas como o 5-metiltetrahidrofolato, forma biologicamente ativa do folato. Apesar do interesse crescente, ainda não há evidências suficientes para indicar sua superioridade em relação ao ácido fólico tradicional.
As evidências atuais mostram que a suplementação de ácido fólico continua sendo essencial durante a gestação, mas destacam a importância do acompanhamento profissional para garantir que a dose utilizada seja adequada às necessidades de cada mulher.
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