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Saúde • 07:59h • 22 de maio de 2025

Chikungunya: Brasil avança no combate ao vírus com vacina inédita

Descrita em 1952, a infecção provoca dor forte nas articulações que pode perdurar por meses ou anos; imunizante do Butantan e da Valneva acaba de ser aprovado no Brasil

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Butantan | Foto: : Lauren Bishop/CDC

Adulto e pupas do mosquito Aedes aegypti suspensos em água parada
Adulto e pupas do mosquito Aedes aegypti suspensos em água parada

A chikungunya é uma doença viral conhecida por causar febre e fortes dores nas articulações — sintomas que, inclusive, inspiraram seu nome, que em makonde (idioma da Tanzânia) significa “aqueles que se dobram”. O primeiro surto oficial foi registrado em 1952 no sudeste africano, mas o vírus já circulava há mais tempo e, com o tempo, se espalhou por outros continentes. No Brasil, ele chegou em 2014 e, desde então, foram registrados mais de 1,4 milhão de casos prováveis e 1.224 mortes.

Agora, o país ganha uma nova aliada contra a doença: a primeira vacina contra chikungunya aprovada no mundo, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. A novidade abre caminho para um controle mais eficaz da infecção, que ainda não tinha vacina nem tratamento específico.

No início, a chikungunya era confundida com a dengue, pois os sintomas são bastante parecidos — febre alta, dores pelo corpo e manchas na pele. Ambas são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da Zika. A diferença só foi confirmada em 1988, quando cientistas identificaram que o vírus era, de fato, distinto.

Desde então, surtos foram registrados em mais de 110 países. Nas Américas, o primeiro caso com transmissão local foi em 2013, no Caribe. No Brasil, os primeiros focos apareceram no Amapá e na Bahia, e rapidamente o vírus se espalhou pelo país. Em 2016, já circulava em todas as regiões. Nos últimos dois anos, o número de casos subiu 68%, chegando a 265 mil em 2024. O mesmo aconteceu com a dengue, que saltou de 1,6 milhão para 6,6 milhões de notificações.

O aumento se deve a vários fatores, como as mudanças climáticas, que favorecem a reprodução do mosquito, e adaptações genéticas do Aedes, que está mais resistente a inseticidas. Além disso, o diagnóstico da chikungunya continua sendo um desafio, pois seus sintomas se confundem com os de outras arboviroses e há poucos testes específicos disponíveis.

As dores que não vão embora

A chikungunya pode ter um impacto duradouro. Em muitos casos, as dores nas articulações continuam mesmo depois que a fase aguda passa, o que compromete a qualidade de vida e até impede as pessoas de trabalhar. Um estudo nos EUA com 500 pacientes mostrou que 1 em cada 8 ainda sentia dor três anos após a infecção.

No Brasil, pesquisadores também identificaram que pessoas com a forma crônica da doença tinham risco 13 vezes maior de desenvolver depressão e 76 vezes mais chances de enfrentar dificuldades de locomoção, em comparação com indivíduos saudáveis. Além da saúde, isso também afeta a economia. Em surtos anteriores, como o de 2006 na Índia, milhões de dias de trabalho foram perdidos. Já na Colômbia, em 2015, 96% da carga total da chikungunya medida em DALYs (indicador de impacto de doenças) veio das formas crônicas da doença.

Doença negligenciada, mas agora com vacina

Assim como a dengue, a chikungunya é considerada uma Doença Tropical Negligenciada (DTN) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso significa que, apesar de seu impacto, ela historicamente recebeu pouco investimento em pesquisa e políticas públicas. Entre 2004 e 2020, ficou apenas em 9º lugar na lista de doenças mais estudadas entre as DTNs no Brasil.

Até hoje, o tratamento ainda é baseado apenas em medicamentos para aliviar os sintomas, além de repouso e hidratação. A prevenção depende do controle do mosquito transmissor, com eliminação de criadouros e uso de repelentes.

Mas o cenário começa a mudar. A vacina IXCHIQ, desenvolvida pelo Butantan com a Valneva, foi aprovada pela Anvisa em abril de 2024 e também já recebeu aval nos EUA, Canadá e Europa. É aplicada em dose única e demonstrou alta eficácia: 98,9% dos adultos imunizados produziram anticorpos, e os níveis se mantiveram fortes por pelo menos seis meses. Entre adolescentes, os resultados também foram animadores.

O Ministério da Saúde avalia agora a inclusão da vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Um estudo publicado na revista Nature Medicine estimou que, se a vacinação tivesse sido realizada durante a epidemia de 2022-2023 no Paraguai, 88% das mortes poderiam ter sido evitadas.

Com a chegada da vacina, o Brasil dá um passo importante para mudar a história da chikungunya, protegendo milhões de pessoas de uma doença que, até agora, era combatida apenas com prevenção e cuidados paliativos.

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