Ciência e Tecnologia • 19:50h • 22 de agosto de 2026
Cães de terapia podem ajudar pacientes a se movimentar mais durante recuperação de AVC
Pesquisa publicada pela Mayo Clinic identificou maior engajamento, atividade física e tempo de mobilidade entre pacientes que tiveram contato com animais durante a reabilitação hospitalar
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sherlock Assessoria | Foto: Divulgação
A presença de cães de terapia durante a recuperação de pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC) pode contribuir para aumentar o envolvimento nas atividades de reabilitação. Um estudo publicado na Mayo Clinic Proceedings identificou maior engajamento, atividade física e tempo de mobilidade entre pacientes que interagiram com animais de terapia.
A proposta busca enfrentar dificuldades comuns durante a recuperação após um AVC, como falta de motivação, pouca energia, redução do interesse pelas atividades terapêuticas e falta de companhia. Durante as sessões, equipes formadas por cães de terapia treinados e seus condutores podem participar de exercícios que envolvem caminhar, brincar, acariciar ou escovar o animal.
Segundo Whitney Romine, gerente de serviços assistidos por animais da Mayo Clinic, a interação pode modificar a experiência do paciente durante a terapia. “Os pacientes frequentemente relatam que se sentem mais centrados, seguros e capacitados para participar das atividades terapêuticas, o que pode fazer uma diferença significativa em sua experiência de recuperação”, afirma.
Animais ajudam a estimular participação na reabilitação
O estudo, intitulado The Impact of Animal-Assisted Treatment on Inpatient Stroke Rehabilitation, analisou o uso do tratamento assistido por animais dentro do ambiente hospitalar e comparou os resultados com pacientes que não tiveram esse tipo de interação.
Os pesquisadores observaram que os participantes expostos à terapia assistida por animais apresentaram maior envolvimento no tratamento e permaneceram fisicamente ativos e em movimento por mais tempo. Os resultados indicam uma possibilidade de complementar as estratégias convencionais de reabilitação, especialmente diante das dificuldades de motivação enfrentadas por alguns pacientes.
“A recuperação de um AVC pode ser desafiadora, especialmente quando os pacientes enfrentam barreiras como baixa motivação ou energia limitada”, explica Brent Bauer, médico de medicina interna da Mayo Clinic. Segundo ele, a pesquisa mostra que o tratamento assistido por animais pode representar uma forma de ampliar o envolvimento dos pacientes durante a reabilitação.
Estratégia pode ser estudada em outros tipos de atendimento
Além dos resultados relacionados ao AVC, o trabalho discute como equipes qualificadas de animais e condutores poderiam ser incorporadas a modelos de atendimento clínico. Os pesquisadores também avaliam a possibilidade de estudar essa abordagem em outras especialidades médicas e diferentes grupos de pacientes.
Os resultados não colocam os animais como substitutos da fisioterapia ou de outros tratamentos indicados após um AVC. A proposta analisada é integrar a interação com os cães às atividades de reabilitação, utilizando o vínculo com o animal como estímulo para aumentar a participação do paciente.
A pesquisa foi realizada pela Mayo Clinic em colaboração com a Nestlé Purina PetCare e publicada na Mayo Clinic Proceedings.
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