Gastronomia & Turismo • 18:44h • 12 de agosto de 2026
Cerveja artesanal virou negócio de família e movimenta uma cadeia que vai muito além do copo
Pais e filhos transformaram o interesse pela bebida em empresas no interior de SP; setor reúne produtores, fabricantes de equipamentos e novas rotas turísticas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da SDE | Foto: Divulgação
Para algumas famílias do interior paulista, a cerveja deixou de ser apenas uma bebida compartilhada à mesa e virou trabalho, renda e um negócio passado de pai para filho. Histórias de cervejarias familiares em Indaiatuba e Americana ajudam a revelar uma cadeia que cresceu em São Paulo e hoje envolve desde pequenos produtores até fabricantes de máquinas, turismo e gastronomia.
Em Indaiatuba, Lucas Mello e o pai, Klinger Mello, trabalham juntos há seis anos na Itaici Cervejaria. A experiência de Klinger, que atua há 25 anos fornecendo tecnologia para a indústria cervejeira, acabou abrindo caminho para a criação da própria marca em 2020.
Desde então, pai e filho desenvolveram mais de 25 receitas e abriram também um pub. A mãe de Lucas participa do negócio, completando uma rotina familiar que mistura decisões empresariais e a produção artesanal.
“Meu pai abriu o caminho, me ensinou tudo”, conta Lucas. Para ele, trabalhar em família também exige maturidade para separar desafios profissionais das relações pessoais.
Quando o hobby do pai virou profissão dos filhos
Em Americana, a história começou bem antes. O arquiteto José Antonio Martins, conhecido como Kalango, se interessou pela cerveja artesanal depois de uma viagem à Bélgica, em 1992. Anos depois, começou a fazer experiências em casa.
A produção cresceu, passou a ser terceirizada em 2014 e ganhou fábrica própria em 2016. Hoje, José e os três filhos comandam a Kalango Cervejaria.
“Assim como ele, largamos nossas carreiras para fazer cerveja em família”, relata o filho Kauré Ferreira Martins. As duas cervejarias integram o Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas, cadeia produtiva formada por 28 empresas do segmento.
São Paulo responde por 77,7% das exportações brasileiras
As histórias familiares fazem parte de um mercado de dimensões bem maiores. São Paulo respondeu por 77,7% das exportações brasileiras de cerveja e movimentou US$ 169,7 milhões em vendas internacionais em 2025, crescimento de 8,42% em relação ao ano anterior.
O estado possui sete Cadeias Produtivas Locais ligadas ao setor e reconhecidas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Elas abrangem atividades que vão do cultivo de lúpulo e fabricação da bebida à produção de máquinas, sistemas de automação, manutenção e outros serviços especializados.
O apoio ocorre por meio do programa SP Produz, que oferece suporte técnico às cadeias e pode disponibilizar recursos para projetos que atendam às exigências estaduais.
Cerveja também virou motivo para viajar pelo estado
Outra frente recente conecta a produção ao turismo. As Rotas da Cerveja de São Paulo reúnem 104 cervejarias, distribuídas por 55 municípios, com sete roteiros temáticos e 21 destinos cervejeiros.
Os circuitos passam por regiões como Campinas, Circuito das Águas e Frutas, Noroeste Paulista, Mogiana, Serra do Itaqueri, Sorocaba e Região Metropolitana de São Paulo. A proposta é fazer com que a visita às cervejarias também movimente restaurantes, hotéis e outros negócios locais.
O Dia Internacional da Cerveja, celebrado na última sexta-feira (7), passou, assim como o fim de semana do Dia dos Pais. Mas as histórias destacadas pelas duas datas revelam algo que continua durante todo o ano: em diferentes cidades paulistas, a produção artesanal aproximou gerações e transformou uma paixão compartilhada em negócio de família.
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