Mundo • 20:41h • 11 de fevereiro de 2026
Caso em academia de São Paulo expõe riscos de manipulação química sem protocolo
Mistura inadequada de produtos em ambiente fechado é considerada previsível e evitável por especialistas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da M2 Comunicação Jurídica | Foto: Arquivo/Âncora1
A morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após uma aula de natação na piscina da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, Zona Leste de São Paulo, colocou em evidência a suspeita de intoxicação por gases tóxicos liberados a partir da mistura indevida de produtos químicos no próprio ambiente da piscina. O caso é investigado pelo 42º Distrito Policial e levanta alertas sobre falhas graves em protocolos de segurança química.
Segundo as apurações iniciais, a piscina funcionava em um espaço fechado, com pouca ventilação, fator que potencializa os efeitos da liberação de gases tóxicos. A Prefeitura de São Paulo interditou o local e iniciou processo de cassação da licença de funcionamento após identificar irregularidades, entre elas alvará desatualizado, não vinculado ao CNPJ atual, além de condições precárias de segurança. A Subprefeitura de Vila Prudente confirmou que a unidade operava sem as licenças exigidas e determinou a interdição preventiva.
Na mesma aula em que Juliana passou mal, outras pessoas também foram intoxicadas. Entre elas, o marido da vítima, que permanece em estado grave, um adolescente de 14 anos e uma mulher de 29 anos, internada em UTI. Outras duas pessoas receberam alta médica. Relatos indicam odor e gosto anormais na água, além de sintomas como irritação ocular e respiratória, náuseas e vômitos, compatíveis com exposição a cloro em concentração elevada ou a gases resultantes de reações químicas.
De acordo com a médica Caroline Daitx, especialista em medicina legal e perícia médica, esse tipo de ocorrência costuma estar associado à manipulação inadequada de produtos químicos. Segundo ela, a mistura de substâncias incompatíveis, o uso de concentrações incorretas ou a manipulação sem treinamento e sem equipamentos de proteção podem gerar reações químicas perigosas, liberando gases tóxicos em ambientes fechados.
A especialista explica que a inalação desses gases provoca inflamação severa das vias respiratórias, edema pulmonar e, em casos mais graves, colapso cardiorrespiratório. Situações semelhantes já foram registradas tanto em academias quanto em residências, geralmente associadas a misturas improvisadas de produtos de limpeza.
No trabalho pericial, são analisadas amostras da água da piscina, dos produtos utilizados, além de exames laboratoriais com sangue, urina e tecidos da vítima. Segundo a médica, os pulmões costumam apresentar sinais claros de edema e lesões internas, o que ajuda a confirmar a intoxicação química e afastar hipóteses de morte por causas naturais.
Para a perita, o episódio reforça que esse tipo de acidente é previsível e evitável. O cumprimento rigoroso de protocolos, a correta rotulagem de produtos, o treinamento adequado de funcionários e a proibição de manipulação por pessoas não qualificadas são medidas básicas de segurança. A recomendação se estende também ao ambiente doméstico, onde a mistura de produtos de limpeza pode gerar riscos semelhantes.
O caso segue em investigação e reacende o debate sobre fiscalização, responsabilidade técnica e segurança química em estabelecimentos que utilizam substâncias potencialmente perigosas em ambientes fechados.
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