Cidades • 08:39h • 19 de setembro de 2026
Calçadas de Assis acumulam 642 notificações e fiscalização conta com seis agentes
Levantamento obtido pelo vereador Fernando Kiko mostra que falta de calçada ou construção fora das regras responde por quase 75% das ocorrências; município não mantém cronograma fixo de fiscalização
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
Circular pelas calçadas de Assis ainda esbarra em centenas de problemas que vão da inexistência do passeio até pisos danificados e estruturas fora das normas. Entre janeiro de 2025 e 28 de agosto de 2026, a Prefeitura emitiu 642 notificações por irregularidades em calçadas, das quais 284 haviam sido atendidas, 253 continuavam em análise ou dentro do prazo legal e 105 permaneciam sem regularização. Os dados foram apresentados pelo Executivo em resposta ao Requerimento nº 641/2026, do vereador Fernando Kiko.
O problema mais frequente é também o mais básico. Das 642 irregularidades identificadas, 478 foram motivadas pela ausência de calçada ou pela existência de passeio construído em desacordo com a legislação municipal. Isso representa aproximadamente 74,5% de todas as ocorrências do período. Outros 164 casos, cerca de 25,5%, envolveram calçadas danificadas que precisavam de reparos.
A fiscalização cabe ao Departamento de Controle Urbano, ligado à Secretaria Municipal de Planejamento, Obras e Serviços. Segundo a Prefeitura, apenas seis servidores efetivos, no cargo de agente fiscal, estão atualmente lotados no departamento para essa atividade. O trabalho ocorre continuamente, tanto por vistorias de rotina quanto a partir de denúncias e reclamações da população.
Mais da metade das notificações ainda não estava concluída
Os números apresentados pela administração mostram que 44,2% das 642 notificações haviam resultado em regularização até a data considerada na resposta. As outras 358, equivalentes a 55,8%, ainda não estavam concluídas, embora em situações diferentes.
Desse total, 253 estavam em tramitação, dentro do prazo legal ou em fase de análise. As outras 105 haviam terminado o prazo sem que a irregularidade fosse solucionada. Segundo a Prefeitura, todas essas notificações não atendidas foram encaminhadas ao Departamento de Tributação para aplicação da multa correspondente.
A legislação municipal prevê valores diferentes conforme a infração e a extensão do imóvel. A resposta, entretanto, revela uma limitação no acompanhamento financeiro. O sistema utilizado pela Prefeitura não permite separar quanto foi aplicado e efetivamente arrecadado especificamente com multas relacionadas às calçadas.
Prefeitura não consegue dizer quanto arrecadou com multas de calçadas
O município informou apenas a arrecadação total registrada sob o título geral de multas por infrações. Em 2025, esse montante chegou a R$ 25.728,90. Em 2026, até o período abrangido pelo documento, foram R$ 70.790,18.
Esses valores não podem ser atribuídos exclusivamente a problemas em passeios públicos, já que o sistema não permite filtrar a arrecadação pelo motivo específico da infração. Também não foi informado o valor total das multas aplicadas aos 105 responsáveis que não regularizaram as calçadas dentro do prazo.
A resposta mostra ainda que não existe cronograma fixo ou periódico para as fiscalizações. O município afirma que organiza as ações conforme denúncias recebidas e critérios como gravidade da irregularidade, risco à segurança, acessibilidade dos pedestres e disponibilidade da equipe.
Calçada irregular pode dificultar passagem de idosos e pessoas com deficiência
Além das condições gerais dos passeios, a fiscalização verifica requisitos de acessibilidade, como rebaixamento de guias, largura livre e inclinação. A Prefeitura informou possuir mapeamento recente de pontos com problemas, priorizando locais de maior circulação, entre eles prédios públicos e pontos de ônibus.
Quando uma calçada danificada ou inadequada impede ou dificulta a circulação de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, idosos ou outros pedestres, o proprietário é notificado para realizar o reparo dentro do prazo previsto. Se houver risco concreto à segurança ou à livre circulação e persistir a omissão, a legislação permite que o próprio município execute o serviço e posteriormente cobre o custo do responsável.
Apesar dessa possibilidade estar prevista desde a Lei Municipal nº 3.727/1998, a Prefeitura informou que não há registro, até o momento, de obras ou serviços de recuperação de calçadas executados pelo poder público em substituição aos proprietários.
Há projetos para pontos prioritários, mas execução depende de orçamento
O município informou que já existem projetos técnicos para adequação da acessibilidade de passeios públicos e esquinas, incluindo locais apontados como prioritários pelo Grupo de Apoio à Pessoa com Deficiência. Os projetos foram encaminhados ao Gabinete para análise e eventual aprovação, mas a execução dependerá da disponibilidade orçamentária e operacional.
Também existem levantamentos já realizados, projetos concluídos e outros ainda em estudo para recuperação, padronização ou melhoria das calçadas. A Prefeitura reconhece, porém, que a capacidade de colocar as regras em funcionamento depende diretamente da estrutura de fiscalização e afirma que pretende ampliar o mapeamento dos problemas de acessibilidade e fortalecer a rotina de vistorias.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro