Educação • 16:49h • 30 de novembro de 2025
Burnout na formação médica, por que estudantes chegam tão exaustos
Estudo mostra alta incidência de burnout e ansiedade entre estudantes de medicina, enquanto especialistas defendem um modelo de preparação mais humano e sustentável
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova Ideia | Foto: Arquivo/Âncora1
A preparação para a residência médica costuma ser descrita como um dos períodos mais intensos da formação em saúde, marcado por alta cobrança, comparação constante e carga emocional elevada. Dados do estudo “Qualidade de Vida dos Médicos”, do Research Center da Afya (2024), mostram que 62% dos profissionais já relataram episódios de burnout ao longo da carreira, enquanto 47% apresentaram transtornos de ansiedade e 46% sinais de depressão. Para estudantes que estão na reta final da graduação, esse cenário tende a se intensificar.
A médica e especialista em preparação para residência, Dra. Clara Aragão, acompanha de perto essas vivências. Segundo ela, muitos candidatos se sobrecarregam ao tentar atender a expectativas acadêmicas cada vez mais amplas. “O estudante sente que precisa ter nota alta, currículo impecável, produções acadêmicas, ótimo desempenho clínico. É uma carga mental enorme, que pode levar ao esgotamento”, afirma.
O ponto crítico, destaca Clara, é que esse sofrimento quase nunca é verbalizado. “Muitos guardam para si uma ansiedade ou insegurança, por medo de parecerem incapazes. Isso cria uma competição silenciosa em que ninguém admite estar mal, mas muitos estão prestes a ceder.” A especialista reforça que reconhecer fragilidade não é sinal de fraqueza, mas de maturidade. Buscar suporte emocional deve ser visto como estratégia, não como demérito pessoal.
Indicações de práticas diárias
Para reduzir a exaustão, a médica defende a adoção de um modelo de preparação que inclua pausas intencionais, sono adequado, prática de atividade física e acompanhamento psicológico. “Um médico inteiro performa melhor do que um exaurido. O preparo sustentável costuma gerar resultados mais consistentes do que longas jornadas de estudo sem descanso”, explica.
Clara também avalia que o próprio sistema de seleção precisa evoluir. “Quando valorizamos apenas resistência e produção acadêmica, selecionamos perfis esgotados, não necessariamente os melhores médicos. Resiliência, empatia, comunicação e equilíbrio emocional também deveriam ser critérios válidos.”
Ao acompanhar a trajetória de diversos estudantes, Clara reforça uma reflexão central: “Um currículo excelente é aquele que reflete uma jornada íntegra. Não adianta ter conquistas acadêmicas brilhantes se o estudante está emocionalmente fragilizado. Precisamos formar médicos resilientes e saudáveis, não sobreviventes de um burnout.”
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