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Saúde • 14:10h • 31 de dezembro de 2025

Burnout corporativo segue elevado em dezembro de 2025 e expõe limites da gestão emocional nas empresas

Adoecimento psíquico permanece entre as principais causas de afastamento do trabalho e pressiona organizações a rever metas, liderança e cultura interna

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação

Burnout corporativo fecha 2025 como risco operacional para empresas brasileiras
Burnout corporativo fecha 2025 como risco operacional para empresas brasileiras

Mesmo após o pico observado no período pós-pandemia, o burnout corporativo continua figurando entre os principais desafios das empresas brasileiras em 2025, com destaque para o mês de dezembro. Dados consolidados do Ministério da Previdência Social, divulgados ao longo deste ano com base nos registros de 2024, apontam que mais de 440 mil trabalhadores se afastaram por transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 67% em relação a 2023. Os meses finais do ano concentram parcela significativa desses afastamentos, impulsionados por sobrecarga de trabalho, pressão por resultados e acúmulo de funções.

Para Danilo Suassuna, doutor em Psicologia e diretor do Instituto Suassuna, dezembro segue funcionando como um “gatilho estrutural” para o adoecimento emocional nas organizações. Segundo ele, o período reúne fechamento de metas, avaliações de desempenho, incertezas econômicas e redução de equipes por férias, fatores que se intensificaram em 2025 com estruturas corporativas mais enxutas e maior cobrança por eficiência.

Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma síndrome ocupacional, o burnout é caracterizado por exaustão emocional, distanciamento mental do trabalho e queda acentuada de desempenho. A OMS mantém a estimativa de que quadros de depressão e ansiedade geram perdas globais superiores a US$ 1 trilhão por ano em produtividade. No Brasil, dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho indicam que os transtornos mentais já disputam o topo das causas de concessão de auxílio-doença, superando problemas osteomusculares em diversos segmentos.

Acumulo de desgastes no ano

Segundo Suassuna, o problema não é pontual nem restrito ao fim do ano. Dezembro, na prática, apenas evidencia um desgaste acumulado ao longo dos meses. Quando a cultura organizacional normaliza jornadas excessivas, metas pouco realistas e disponibilidade permanente, o colapso emocional passa a ser previsível.

Em 2025, cresce a diferença entre empresas que tratam saúde mental como parte da estratégia de negócio e aquelas que ainda apostam em ações pontuais. Relatório atualizado do Great Place to Work, divulgado neste ano, aponta que organizações com políticas estruturadas de bem-estar emocional registram até 34% menos rotatividade e ganhos de produtividade que podem chegar a 25%, além de menor incidência de afastamentos prolongados.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão a revisão realista das metas de fim de ano, comunicação clara sobre prioridades, respeito efetivo às férias e aos horários de descanso, além da capacitação de lideranças para identificar sinais precoces de sofrimento psíquico. Para o especialista, o papel do gestor não é diagnosticar, mas perceber mudanças de comportamento e agir antes que o adoecimento se instale.

Outro ponto crítico é a cultura da hiperconectividade

Com o trabalho híbrido consolidado em 2025, muitos profissionais seguem sem limites claros entre vida pessoal e trabalho. Quando essa lógica se estende a dezembro, o organismo permanece em estado contínuo de alerta, favorecendo quadros de ansiedade, insônia e burnout.

Além do impacto individual, o adoecimento mental afeta diretamente os resultados das empresas. Estimativas da OMS indicam que cada dólar investido em programas de promoção da saúde mental gera retorno médio de quatro dólares em produtividade e redução de custos indiretos. Para Suassuna, não se trata apenas de cuidado humano, mas de sustentabilidade operacional.

No fechamento de 2025, as empresas enfrentam uma escolha estratégica. É possível repetir o ciclo de exaustão no fim do ano ou utilizar dezembro como momento de ajuste, revisão de práticas e preparação de um novo ciclo mais saudável. Ignorar a saúde mental, segundo o especialista, deixou de ser apenas um problema social e passou a representar um risco concreto para a continuidade dos negócios.

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