Economia • 10:52h • 11 de setembro de 2026
Brasileiros tiram R$ 10,5 bilhões da poupança em agosto e saques já passam de R$ 57 bilhões no ano
Caderneta registra terceiro mês seguido de retirada líquida e teve mais dinheiro saindo do que entrando em sete dos oito primeiros meses de 2026
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Os brasileiros retiraram R$ 10,5 bilhões a mais do que depositaram na poupança em agosto, segundo dados divulgados na quinta-feira (10) pelo Banco Central. Foram R$ 357,7 bilhões em depósitos contra R$ 368,2 bilhões em saques, mantendo uma tendência que atravessa praticamente todo o ano: em 2026, somente maio terminou com mais entradas do que retiradas.
Agosto foi o terceiro mês consecutivo de saída líquida de recursos da caderneta. Mesmo com R$ 6,5 bilhões creditados em rendimentos no período, o movimento dos correntistas permaneceu negativo. O estoque total mantido na poupança está pouco acima de R$ 1 trilhão.
De janeiro a agosto, as retiradas líquidas já acumulam R$ 57,1 bilhões. Isso significa que, em apenas oito meses, a saída líquida já corresponde a aproximadamente 67% dos R$ 85,6 bilhões retirados durante todo o ano passado.
Poupança ficou no vermelho em sete dos oito meses
A sequência de 2026 chama atenção pela persistência. Dos oito primeiros meses do ano, sete terminaram com mais saques do que depósitos. A única exceção foi maio, quando houve entrada líquida de R$ 2,6 bilhões.
O comportamento também prolonga um período de resultados negativos da aplicação mais tradicional dos brasileiros. Em 2023, as retiradas líquidas chegaram a R$ 87,8 bilhões. Em 2024, ficaram em R$ 15,5 bilhões, enquanto 2025 voltou a registrar um saldo negativo elevado, de R$ 85,6 bilhões.
Os R$ 10,5 bilhões retirados somente em agosto representam cerca de 18% de toda a saída líquida acumulada em 2026.
Juros altos aumentam concorrência com outros investimentos
Um dos fatores que ajudam a explicar o movimento está na taxa básica de juros. A Selic está atualmente em 14% ao ano, patamar que aumenta a atratividade de aplicações de renda fixa que concorrem diretamente com a poupança.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O Banco Central voltou a reduzir os juros em março diante do processo de desaceleração da inflação, mas o cenário internacional e os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis e alimentos passaram a dificultar cortes mais rápidos.
Com juros elevados, produtos financeiros que acompanham mais diretamente a Selic ou outras taxas de mercado podem apresentar rentabilidade superior à da caderneta, estimulando a migração de recursos. Ao mesmo tempo, os dados do Banco Central mostram o resultado líquido das movimentações e, isoladamente, não permitem atribuir todos os saques exclusivamente à troca de investimento.
Inflação de agosto pode influenciar próximos passos dos juros
A trajetória da inflação é uma das variáveis acompanhadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir os próximos movimentos da Selic. A meta para o IPCA é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Em julho, a inflação oficial foi de 0,07%, desacelerando pelo quarto mês consecutivo. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,44%, retornando à margem de tolerância da meta.
O próximo dado importante será conhecido nesta sexta-feira (11), quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado da inflação de agosto.
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