Responsabilidade Social • 20:18h • 25 de março de 2026
Brasileiros se preocupam com desperdício, mas não tratam como prioridade
Pesquisa revela que maioria reconhece o problema, mas não o vê como urgente; setor privado é pressionado a agir
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da WWF | Foto: Arquivo/Âncora1
Apesar de quase 60% dos brasileiros afirmarem preocupação com o desperdício de alimentos, apenas 1% considera o tema um dos principais problemas do país. O dado, levantado por pesquisa do programa Brasil Sem Desperdício, evidencia uma contradição no comportamento da população e acende um alerta para a necessidade de ações mais efetivas.
O estudo foi encomendado pelo WWF-Brasil e pela ONG Global WRAP, com realização do Instituto Akatu e da Market Analysis. Para Daniela Teston, diretora de Relações Corporativas do WWF-Brasil, e Lúcio Vicente, diretor-executivo do Instituto Akatu, o desperdício é amplamente reconhecido como errado, mas ainda não é tratado como uma questão urgente no cotidiano.
Na prática, o problema se manifesta em pequenas perdas diárias, como alimentos esquecidos, compras em excesso e descarte de sobras. Ao mesmo tempo, a responsabilidade pelo enfrentamento ainda é atribuída principalmente ao governo e às empresas, enquanto o papel do consumidor aparece em segundo plano.
A pesquisa mostra que 93,9% dos brasileiros associam o desperdício à perda de dinheiro, mais do que aos impactos ambientais ou sociais. Esse dado indica que o argumento econômico pode ser um dos caminhos mais eficazes para estimular mudanças de comportamento.
Nesse cenário, empresas do setor alimentício ganham protagonismo. Estratégias como promoções que incentivam compras acima da necessidade, embalagens pouco adequadas e padrões estéticos rigorosos contribuem diretamente para o desperdício dentro das casas.
Especialistas apontam que há espaço para mudanças simples, como oferta de porções menores, incentivo à compra fracionada e valorização de alimentos fora do padrão visual. Além disso, a melhoria na rotulagem e na comunicação com o consumidor pode ajudar a reduzir perdas.
Outro desafio está na informação. Embora 82% dos brasileiros queiram aprender como evitar o desperdício, apenas 27% buscam esse tipo de conteúdo. Para Daniela Teston e Lúcio Vicente, é papel das empresas levar orientações práticas e acessíveis ao dia a dia das pessoas, especialmente nos canais digitais e nas embalagens.
A diversidade de perfis de consumidores também exige estratégias diferentes. Enquanto alguns respondem melhor ao impacto financeiro, outros se engajam por questões ambientais ou sociais.
Para os especialistas, combater o desperdício vai além da responsabilidade social. Trata-se de uma estratégia que envolve eficiência econômica, inovação e competitividade. Empresas que adotam práticas mais sustentáveis reduzem perdas, fortalecem a reputação e ampliam a confiança do consumidor.
O avanço, no entanto, depende de uma ação conjunta. Governo, setor privado e sociedade precisam atuar de forma integrada para reduzir o desperdício e construir um sistema alimentar mais equilibrado.
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