Economia • 09:10h • 30 de agosto de 2026
Brasileiro pisa no freio: 91% não têm plena tranquilidade financeira para fazer planos
Levantamento mostra que redução das compras, busca por promoções e adiamento de gastos maiores fazem parte de uma rotina em que o orçamento passou a determinar prioridades
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Chegar ao segundo semestre fazendo planos ainda parece distante para boa parte dos brasileiros. Apenas 9% afirmam ter segurança financeira suficiente para planejar a vida com tranquilidade, enquanto 58% conseguem manter as contas, mas convivem com algum grau de fragilidade. Outros 33% enfrentam dificuldades frequentes ou até mesmo para cobrir necessidades básicas, segundo pesquisa da Aerah House com 2 mil pessoas de todas as regiões do país.
A pressão sobre o orçamento já mudou decisões cotidianas. Nos três meses anteriores ao levantamento, 41% dos entrevistados reduziram a quantidade ou a frequência das compras, 33% passaram a procurar mais promoções e 26% adiaram aquisições de maior valor. A troca de marcas por alternativas mais baratas foi adotada por 21%, enquanto 8% mudaram de loja, canal de compra ou forma de pagamento para economizar.
Os números revelam um consumidor que não necessariamente abandonou seus planos, mas passou a submetê-los com maior frequência às condições financeiras do momento. Comparar preços, esperar uma oferta e decidir o que pode ser adiado ganharam espaço em um cenário no qual somente uma pequena parcela declara ter tranquilidade para organizar o futuro.
Primeiro sair das dívidas, depois avançar
Apesar das restrições, o levantamento encontrou um contraste importante: 68% dos brasileiros acreditam que conseguirão realizar seus sonhos nos próximos dois anos. A prioridade, entretanto, mostra o tamanho da preocupação financeira atual.
Para 31%, o principal objetivo é alcançar segurança financeira e sair das dívidas. Assim, antes de ampliar o consumo ou assumir novos compromissos, parte da população procura recuperar estabilidade e previsibilidade no orçamento.
Fernanda Faria, sócia-fundadora do Instituto de Pesquisa Aerah House, avalia que os brasileiros continuam fazendo planos, mas passaram a construí-los a partir das possibilidades atuais, com decisões mais cautelosas sobre preço, momento da compra e prioridades.
Consumo passa por uma espécie de recalculadora
A Aerah House denomina esse comportamento de “Consumo em Modo Gestão”. O conceito descreve um consumidor que administra continuamente o orçamento e pondera não apenas quanto pode gastar, mas também quando comprar, qual produto escolher e o que realmente merece prioridade.
Essa mudança pode ajudar a explicar por que promoções, substituição de marcas e adiamento de compras aparecem simultaneamente na pesquisa. Em vez de uma única estratégia para economizar, diferentes alternativas passam a ser combinadas conforme a situação financeira e a importância de cada gasto.
O levantamento “O Brasil de Agora: A Vida Sob Novas Condições” ouviu 2 mil brasileiros maiores de 18 anos em abril de 2026. A amostra é representativa por região, sexo, faixa etária e classe social, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
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