Ciência e Tecnologia • 16:21h • 06 de setembro de 2026
Brasil testa plataforma que pode levar pesquisas de medicamentos e agricultura ao espaço
Operação Potiguar 2 vai avaliar sistema brasileiro capaz de transportar experimentos em microgravidade e recuperar equipamentos após voo a cerca de 100 quilômetros de altitude
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: CECOMSAER
O Brasil realiza até 19 de setembro uma nova etapa do desenvolvimento de uma plataforma destinada a pesquisas científicas em microgravidade, ambiente que permite estudar fenômenos em condições diferentes das encontradas na superfície terrestre. A Operação Potiguar 2 ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, e poderá beneficiar futuramente pesquisas em áreas como medicamentos, biologia, agricultura, materiais, fluidos e combustão.
O principal objetivo desta fase é testar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R). A possibilidade de trazer a estrutura e os experimentos de volta à superfície é essencial para que equipamentos, amostras e informações obtidas durante as missões possam ser posteriormente analisados.
A plataforma será transportada pelo foguete de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Simulações indicam que o veículo poderá alcançar aproximadamente 100 quilômetros de altitude e percorrer cerca de 90 quilômetros. A carga útil tem massa estimada em 401 quilos.
Plataforma poderá receber diferentes experimentos
O ambiente de microgravidade abre possibilidades para pesquisas científicas e tecnológicas nas quais a influência da gravidade terrestre interfere nos resultados. A PSM-R está vinculada ao Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira (AEB), que seleciona experimentos para realização em voos suborbitais e orbitais.
A plataforma reúne módulos para experimentos e sistemas responsáveis pelo funcionamento durante o voo e pelo retorno à superfície. Entre os componentes estão paraquedas, módulo de serviço e controle, sistema de gás frio e mecanismos utilizados para controlar a rotação da carga útil antes de sua separação.

A Operação Potiguar 2 mobiliza cerca de 160 militares e servidores civis nas atividades de preparação, integração, lançamento e recuperação. Durante o voo, a plataforma será acompanhada por sistemas de telemetria e rastreamento e, depois do retorno, os dados coletados serão analisados pelas equipes responsáveis.
Segunda fase avança sobre teste realizado em 2024
A primeira etapa da Operação Potiguar ocorreu em 2024 e concentrou-se na verificação de procedimentos e sistemas relacionados ao lançamento. Agora, o foco passa para o funcionamento do conjunto responsável pela recuperação da plataforma durante um voo.
O teste ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, inaugurado em 1965 e considerado o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul. Segundo a Força Aérea Brasileira, a unidade já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos.
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