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Saúde • 18:34h • 18 de agosto de 2026

Brasil passa a fabricar preservativo sintético sem látex natural para atender pessoas com alergia

Produzido em São Roque com matéria-prima nacional, Prosex Pro utiliza poliisopreno sintético e chega a um mercado em que cerca de 95% dos preservativos vendidos no país são importados

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação

Indústria de SP lança primeiro preservativo sintético sem látex natural fabricado no país
Indústria de SP lança primeiro preservativo sintético sem látex natural fabricado no país

Uma indústria de São Roque, no interior de São Paulo, iniciou a produção de um preservativo sintético sem látex natural, ampliando as opções disponíveis para pessoas que apresentam alergia ao material tradicionalmente utilizado nesses produtos. O Prosex Pro, lançado pela Inaltex, é fabricado com poliisopreno a partir do látex sintético Cariflex, produzido em Paulínia (SP). Segundo a empresa, trata-se do primeiro preservativo desse tipo desenvolvido e fabricado no Brasil.

A diferença está justamente na matéria-prima. Apesar da palavra “látex” aparecer no nome comercial do insumo, o Cariflex utilizado no produto é sintético e não contém borracha natural em sua composição. O preservativo também é lubrificado e, segundo a fabricante, passa por teste eletrônico individual antes de ser embalado.

A novidade atende especialmente um grupo que pode enfrentar dificuldades com preservativos convencionais. De acordo com dados do Hospital Alemão Oswaldo Cruz citados no material de lançamento, a sensibilização ao látex atinge menos de 1% da população em geral, mas pode chegar a 30% em determinados grupos de risco, incluindo profissionais da saúde e pacientes submetidos a múltiplas cirurgias.

Produto brasileiro chega a mercado dominado por importados

O lançamento também chama atenção pelo local de fabricação. Estimativas do setor apresentadas pela empresa indicam que aproximadamente 95% dos preservativos comercializados atualmente no Brasil são importados.

Esse cenário se intensificou depois que marcas tradicionalmente produzidas no país encerraram suas operações fabris nacionais e passaram a trazer preservativos fabricados no exterior. Entre os exemplos citados estão Jontex, Olla e Blowtex.

A própria fábrica atualmente operada pela Inaltex carrega parte dessa história. A produção de preservativos no endereço de São Roque começou em 1969, inicialmente com a marca Olla. Depois de passar por diferentes controladores, a unidade foi vendida ao grupo Hypermarcas em 2009 e à Reckitt Benckiser em 2017.

Em 2019, a Reckitt encerrou a fabricação de preservativos e gel lubrificante no Brasil e passou a importar produtos de países como China e Tailândia. No ano seguinte, José Araújo e Denis Araújo reabriram a unidade no mesmo endereço e fundaram a Inaltex, retomando a produção das marcas Prosex, Oba e Prelude.


Mercado movimentou R$ 704,9 milhões no canal farmacêutico

Dados da consultoria IQVIA, referentes ao MAT 2026 e apresentados pela empresa, apontam que o mercado brasileiro de preservativos movimentou R$ 704,9 milhões no canal farmacêutico, acumulando crescimento de 37% em cinco anos.

A categoria de saúde sexual e masculina ocupa a nona posição entre os segmentos de Consumer Health e, segundo a mesma base, apresenta crescimento consistente dentro do canal farmacêutico.

A fábrica da Inaltex possui área de 16 mil m2 e laboratório microbiológico próprio. De acordo com a companhia, a unidade concentra cerca de 60% da capacidade produtiva instalada de preservativos no mercado nacional e consegue fabricar mais de 200 unidades por minuto.

A empresa informa ainda possuir certificação de Boas Práticas de Fabricação da Anvisa, ISO 9001, credenciamento junto ao Centro Tecnológico de Controle da Qualidade Falcão Bauer e 17 registros ativos na Anvisa entre as marcas Prosex, Oba e Prelude.

Matéria-prima também é produzida em São Paulo

Além de o preservativo ser fabricado em São Roque, o insumo sintético utilizado na produção vem de outra cidade paulista. O Cariflex é produzido em uma unidade industrial localizada em Paulínia.

Para Denis Araújo, presidente da Inaltex, a fabricação nacional reduz a dependência externa para esse tipo específico de produto. “Produzir o Prosex Pro no Brasil, com matéria-prima nacional, tira essa tecnologia da dependência de importação e garante mais uma opção segura para quem tem alergia ao látex natural”, afirma.

O lançamento acrescenta, assim, uma alternativa nacional a um segmento específico do mercado de preservativos. Para consumidores com sensibilidade ou alergia ao látex natural, a principal diferença está na utilização do poliisopreno sintético, enquanto, para a indústria, a novidade representa a produção local de um item em um mercado atualmente abastecido majoritariamente por importações.

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