Economia • 08:21h • 16 de abril de 2026
Brasil mantém liderança no café e busca ampliar valor no mercado global
País aposta em inovação, sustentabilidade e novos mercados para fortalecer competitividade e aumentar ganhos no setor cafeeiro
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1
O Brasil segue como líder mundial na produção e exportação de café, mas especialistas apontam que o cenário atual exige maior integração entre pesquisa, produção e políticas públicas para sustentar essa posição e ampliar os ganhos do setor. O tema foi debatido em um seminário promovido pela Embrapa, que reuniu pesquisadores e representantes do mercado.
Dados apresentados no encontro mostram que a produção global de café cresceu de forma consistente nas últimas décadas, passando de cerca de 8,5 milhões para 11,6 milhões de toneladas entre 2010 e 2024. O consumo acompanhou esse ritmo, com aumento de aproximadamente 44% no mesmo período.
Mesmo liderando com folga em relação a países como Vietnã, Indonésia e Colômbia, o Brasil ainda enfrenta desafios em produtividade. Enquanto alguns concorrentes superam os 3 mil quilos por hectare, a média brasileira é de cerca de 1.752 quilos. Para avançar, especialistas defendem o investimento em inovação tecnológica, melhoramento genético, sustentabilidade e uso estratégico de dados.
Uma das estratégias apontadas é ampliar o cultivo do café canéfora, mais produtivo e resistente às mudanças climáticas. Além disso, ferramentas como inteligência artificial, agricultura de precisão e automação podem otimizar o manejo das lavouras e elevar a eficiência produtiva. Tecnologias voltadas à rastreabilidade e ao controle de qualidade também ganham importância, tanto para atender exigências do mercado quanto para melhorar a organização da produção.
Outro ponto destacado é a necessidade de agregar mais valor ao produto. Apesar de liderar em volume de exportação, o Brasil ainda vende café a preços inferiores aos de países que industrializam e comercializam produtos com maior valor agregado. Enquanto o café brasileiro é exportado por cerca de 1,58 dólar por quilo, mercados europeus chegam a vender o produto por valores muito superiores.
Diante disso, especialistas defendem a diversificação da produção, com maior foco em café torrado, moído, solúvel e outros derivados. A ampliação da presença em mercados emergentes, como China, Coreia do Sul e Turquia, também é vista como uma oportunidade para reduzir a dependência de destinos tradicionais e aumentar a competitividade.
No cenário interno, a produção brasileira é concentrada no Sudeste, com destaque para Minas Gerais, responsável por quase metade do total. Espírito Santo, São Paulo e Bahia também têm participação relevante, enquanto estados do Norte vêm ganhando espaço, especialmente na produção de canéfora.
O café segue sendo um produto estratégico para a economia nacional. Em 2025, contribuiu com cerca de 15 bilhões de dólares para o superávit da balança comercial do agronegócio, representando uma parcela significativa do resultado total do setor.
Apesar da posição consolidada, o setor enfrenta desafios como gargalos logísticos, instabilidade no cenário internacional, exigências ambientais e necessidade de maior capacitação dos produtores em gestão e uso de instrumentos financeiros. Ao mesmo tempo, o avanço do consumo global, a digitalização e a expansão de mercados emergentes abrem novas oportunidades.
Especialistas destacam que o Brasil possui vantagens importantes, especialmente em sustentabilidade e tecnologia, mas precisa transformá-las em diferenciais competitivos claros para manter a liderança e ampliar sua participação em segmentos de maior valor no mercado internacional.
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