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Esporte • 16:16h • 18 de outubro de 2026

Brasil disputará Mundial de vôlei em país onde uma partida universitária reuniu 92 mil torcedores

Competição feminina reunirá 32 seleções nos Estados Unidos e no Canadá, com três vagas olímpicas em disputa; modelo universitário americano se destaca pela formação de atletas

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação

Brasil chega ao Mundial de vôlei de 2027 diante de modelo americano que une esporte e universidade
Brasil chega ao Mundial de vôlei de 2027 diante de modelo americano que une esporte e universidade

A seleção brasileira feminina de vôlei disputará o Campeonato Mundial de 2027, entre 20 de agosto e 5 de setembro, nos Estados Unidos e no Canadá. Com a definição das 32 equipes classificadas nesta semana, o Brasil, que já havia garantido sua vaga pelo Sul-Americano, se prepara para uma competição que também distribuirá três vagas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 entre as seleções ainda não classificadas. A fase decisiva será realizada no Honda Center, em Anaheim, arena que receberá o vôlei olímpico no ano seguinte.

Uma das cidades que sediarão a fase de grupos será Omaha, no estado americano de Nebraska, onde o voleibol alcançou números expressivos de público. Em 2023, a Universidade de Nebraska reuniu 92.003 espectadores em um estádio de futebol americano para uma partida da modalidade, estabelecendo um recorde mundial de público em um evento esportivo feminino.

O interesse também se estende ao cenário profissional. O Omaha Supernovas encerrou 2025 como líder mundial de público no vôlei profissional pelo segundo ano consecutivo, refletindo a popularidade que o esporte conquistou na região.

Universidades são fundamentais para o crescimento do vôlei americano

Para Ana Paula Zandona, treinadora de voleibol e especialista em desenvolvimento de atletas e análise de performance, o sucesso americano está diretamente relacionado à estrutura oferecida desde a formação escolar até o ensino superior.

Ex-levantadora da NCAA Division I, ela trabalha atualmente no esporte universitário dos Estados Unidos e participa do recrutamento de jogadoras. Segundo a especialista, o sistema permite que jovens atletas continuem competindo em alto nível enquanto estudam, sem precisar escolher precocemente entre a formação acadêmica e a carreira esportiva.

"O vôlei americano não cresceu de cima para baixo. A base dele está nas universidades. A menina joga no colégio, depois na faculdade, com estrutura, torcida e transmissão, e quem chega à seleção ou a uma liga profissional já passou anos competindo em alto nível sem abrir mão do estudo", explica.

Na temporada 2024/2025, a NCAA registrou 554.298 atletas em modalidades de campeonato, incluindo mais de 25 mil estrangeiros. Considerando as três principais entidades do esporte universitário americano, aproximadamente 180 mil bolsas de estudo são distribuídas anualmente por meio do esporte, movimentando mais de US$ 4 bilhões.

O crescimento das ligas profissionais femininas também ampliou as possibilidades de carreira. Na Major League Volleyball, os salários variam de US$ 60 mil a US$ 175 mil por temporada, conforme os dados apresentados.

Brasil tem tradição, mas enfrenta desafios para manter jovens atletas

Apesar da tradição internacional e da qualidade técnica de suas categorias de base, o voleibol brasileiro enfrenta dificuldades na transição das atletas para a vida adulta, segundo Zandona.

A treinadora avalia que muitas jogadoras chegam aos 18 anos com experiência competitiva superior à de americanas da mesma idade, mas encontram menos oportunidades para continuar se desenvolvendo enquanto cursam uma faculdade.

"O Brasil forma muito bem. A diferença está no que acontece depois dos 18 anos. Lá, a atleta que não chega ao time adulto ainda tem onde continuar jogando e se desenvolvendo. Aqui, muitas vezes ela simplesmente para", afirma.

Para a seleção brasileira, o Mundial de 2027 representará a oportunidade de disputar mais um título internacional e buscar a classificação olímpica. Fora das quadras, a competição também colocará em evidência um modelo esportivo no qual universidades, clubes profissionais e torcedores participam de uma estrutura de formação e desenvolvimento de atletas.

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