Responsabilidade Social • 19:56h • 30 de agosto de 2026
Borboletas migram em busca de temperaturas mais amenas e revelam efeito do aquecimento global
Levantamento com cerca de 1.700 espécies em 105 países mostra deslocamento para regiões de temperaturas mais amenas e ajuda a revelar como o clima está alterando os ecossistemas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação
Elas são pequenas, sensíveis às condições ambientais e agora ajudam a revelar uma transformação de escala global. Um estudo que analisou cerca de 1.700 espécies de borboletas em 105 países identificou o deslocamento desses animais de regiões mais quentes para áreas de temperaturas mais amenas, em um movimento associado ao aquecimento do planeta.
Segundo José Eli da Veiga, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), trata-se do maior levantamento já realizado sobre borboletas. Publicado em uma revista do sistema Nature, o trabalho reuniu informações provenientes de aproximadamente 500 outros estudos para construir um panorama amplo das mudanças observadas nas espécies.
O resultado mais evidente é justamente a procura por ambientes climaticamente menos hostis. “Elas estão numa velocidade difícil de mensurar, estão migrando para ambientes menos hostis, principalmente em termos de temperatura, quer dizer, das áreas mais quentes para áreas mais amenas”, explica Veiga.
Pequenas borboletas revelam uma mudança muito maior
O deslocamento chama atenção porque não representa apenas uma alteração na distribuição geográfica desses insetos. Para o professor, o estudo oferece elementos para refletir sobre como o aumento das temperaturas poderá modificar progressivamente os ambientes disponíveis para diferentes formas de vida.
Borboletas estão deixando áreas mais quentes e movimento acende alerta sobre o clima | Foto: Cecília Bastos/USP
À medida que uma espécie deixa determinada região para encontrar condições térmicas mais favoráveis, relações ecológicas construídas naquele ambiente também podem ser afetadas. O levantamento das borboletas funciona, portanto, como um retrato de como organismos vivos estão respondendo às mudanças de temperatura.
Veiga relaciona essa adaptação ao desafio que também começa a alcançar as populações humanas. Segundo ele, estudos sobre o aquecimento da Terra indicam que áreas atualmente habitadas poderão enfrentar condições cada vez mais difíceis para a permanência humana, embora não seja possível determinar com precisão quando e onde essas transformações serão mais intensas.
Calor extremo já começa a influenciar até onde as pessoas escolhem morar
Os efeitos deixam de ser apenas uma projeção distante quando ondas de calor e incêndios começam a interferir em decisões cotidianas. Veiga cita o verão europeu de 2026, marcado em algumas regiões por canículas, períodos prolongados de calor extremo, e incêndios.
Segundo o professor, a situação já provocou discussões sobre a localização das chamadas segundas residências, imóveis utilizados principalmente durante períodos de férias, com reflexos inclusive sobre o mercado imobiliário nos países mais atingidos.
Das borboletas que procuram lugares mais frescos às pessoas que começam a reconsiderar onde manter uma casa, os movimentos têm escalas completamente diferentes, mas apontam para uma questão comum: o aumento da temperatura está modificando a relação dos seres vivos com os lugares que ocupam.
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