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Ciência e Tecnologia • 14:26h • 26 de outubro de 2025

Bioeletricidade da cana fortalece matriz energética e oferece alternativa sustentável

Pesquisadores apontam que geração a partir do bagaço contribui para segurança elétrica e redução de emissões de carbono, mas alertam para desafios estruturais e climáticos

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Embrapa | Foto: Leandro dos Santos Morais

O estudo demonstra que, embora a bioeletricidade da cana seja uma alternativa renovável de grande potencial, ela é vulnerável a gargalos estruturais que podem comprometer sua contribuição em períodos críticos
O estudo demonstra que, embora a bioeletricidade da cana seja uma alternativa renovável de grande potencial, ela é vulnerável a gargalos estruturais que podem comprometer sua contribuição em períodos críticos

A bioeletricidade gerada a partir do bagaço de cana-de-açúcar tem se destacado como uma alternativa importante para diversificar a matriz elétrica brasileira e reduzir a dependência das hidrelétricas, vulneráveis a variações climáticas. Durante a estação seca, quando os reservatórios estão baixos, a energia da cana ajuda a manter o fornecimento estável. Além disso, pode ser gerada à noite, complementando a energia solar, que atinge o pico durante o dia e enfrenta restrições em alguns casos.

Estudos indicam que a bioeletricidade da cana apresenta pegada de carbono de 0,227 kg de dióxido de carbono equivalente por kWh, bem menor que a de termelétricas a diesel, que chega a 1,06 kg de dióxido de carbono equivalente por kWh. As emissões da biomassa não acrescentam carbono novo à atmosfera, já que a cana absorve dióxido de carbono durante a fotossíntese e o ciclo se renova com novas plantações.

Pesquisadores destacam o papel estratégico dessa fonte para a segurança energética e a transição para um sistema sustentável. Ela utiliza resíduos da produção de açúcar e etanol e oferece baixo impacto ambiental. No entanto, estudo internacional liderado pela Embrapa alerta que a bioeletricidade da cana enfrenta desafios, como falta de infraestrutura hídrica, baixo investimento em irrigação, seguros agrícolas insuficientes e ausência de sistemas de alerta precoce. Esses fatores podem comprometer a produção em períodos críticos.

Para aumentar a resiliência, os especialistas recomendam ampliar e modernizar a irrigação, aprimorar o manejo hídrico e estimular inovação tecnológica no setor. A integração da bioeletricidade da cana com outras fontes renováveis, como solar e hidrelétrica, é essencial, já que ela atinge seu pico justamente na estação seca, garantindo estabilidade do sistema elétrico.

A pesquisa também reforça a importância da agricultura climaticamente inteligente, que busca aumentar a produtividade de forma sustentável, fortalecer a resiliência das plantações e reduzir emissões de gases de efeito estufa. Ao aproveitar resíduos agrícolas para gerar energia, o setor contribui para a economia circular, reduz a dependência de combustíveis fósseis e fortalece a bioeconomia.

O Brasil, um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo, possui condições favoráveis para consolidar a bioeletricidade como componente central da matriz elétrica. Segundo Vinicius Bufon, da Embrapa, fortalecer a resiliência desse setor é fundamental para garantir segurança energética e avançar na transição para uma economia de baixo carbono.


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