Responsabilidade Social • 11:26h • 10 de setembro de 2026
Bets chegam às escolas: apostas começam aos 11 anos e atingem um em cada cinco estudantes
Pesquisa com alunos de 191 escolas mostra que quase metade dos jovens do 3º ano do ensino médio já apostou; entre os meninos dessa etapa, índice chega a 41,7%
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
Um em cada cinco estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já fez apostas online no Brasil, apesar de o acesso de menores de 18 anos às plataformas ser proibido. O levantamento divulgado na quarta-feira (9) pela Frente Parlamentar Mista da Educação mostra que 20,4% dos alunos entrevistados já utilizaram as chamadas bets e que o contato começa ainda na infância.
A pesquisa, realizada em parceria com a Equidade.info, ouviu presencialmente 1.912 estudantes de 191 escolas de diferentes regiões do país durante agosto e setembro. Entre os alunos com até 11 anos, 9,5% disseram já ter realizado apostas online.
O percentual cresce fortemente conforme avança a escolaridade. No 3º ano do ensino médio, 49,7% dos estudantes pesquisados afirmaram já ter apostado, proporção próxima de um em cada dois alunos.
Meninos apresentam índices mais altos
A diferença entre meninos e meninas também é expressiva. Entre eles, 27,8% disseram já ter apostado, mais que o dobro dos 12,6% registrados entre as meninas.
No ensino médio, 41,7% dos meninos afirmaram já ter feito apostas online. Entre os estudantes do sexo masculino nos anos finais do ensino fundamental, o percentual foi de 19%.
Os números chamam atenção porque a legislação brasileira proíbe o acesso de menores de idade às plataformas de apostas online, enquanto a pesquisa identifica participação já entre estudantes de 11 anos.
Perdas podem superar R$ 1 bilhão
Outro dado apontado pelo levantamento é o impacto financeiro. A pesquisa estima que as perdas agregadas podem ultrapassar R$ 1 bilhão entre o público pesquisado.
Segundo o professor Guilherme Lichand, da Stanford Graduate School of Education e coordenador da pesquisa, medidas concentradas exclusivamente no comportamento individual dos apostadores podem ser insuficientes para reduzir a exposição às bets.
O pesquisador também afirma que a educação financeira, isoladamente, não tem se mostrado suficiente para prevenir esse contato. De acordo com o levantamento, estudantes de escolas com maior proporção de alunos com letramento financeiro apresentaram maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas.
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Pesquisa defende maior proteção aos menores
Entre as recomendações apresentadas pelos responsáveis pelo levantamento estão maior tributação sobre transações realizadas nas plataformas, restrições à publicidade e medidas de proteção direcionadas especialmente a crianças e adolescentes.
Para Lichand, intervenções sobre a própria estrutura do mercado podem ter maior efeito. “A proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, afirma.
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