Variedades • 11:11h • 21 de agosto de 2026
Bets cabem no bolso e funcionam 24 horas: como esses jogos tornam a aposta mais familiar e inofensiva
Palestra “Jogos e Apostas” mostrou como marketing, acesso 24 horas e aparência amigável das plataformas podem ampliar os riscos, especialmente entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
A facilidade de apostar pelo celular, a qualquer hora e praticamente sem sair de casa, transformou a relação dos brasileiros com os jogos de azar. Na tarde desta quinta-feira (20), a palestra “Jogos e Apostas”, promovida pelo Procon-SP e ministrada por Neide Ayoub, apresentou de forma didática os riscos associados às bets e chamou atenção para mecanismos que podem fazer uma atividade aparentemente inofensiva avançar para comportamento compulsivo, problemas financeiros e jogos patológicos.
Realizada das 14h às 15h30, a apresentação percorreu desde a história da legislação brasileira sobre jogos até o cenário atual das apostas digitais. Um dos pontos abordados foi o Decreto-Lei nº 9.215, de 1946, que proibiu a prática e a exploração dos jogos de azar no país, além das mudanças posteriores que levaram ao ambiente regulatório encontrado atualmente.
A palestra também diferenciou modalidades de jogos e situações em que o ganho depende essencialmente do acaso, além de abordar a existência de plataformas de apostas autorizadas e operações ilegais. A explicação ajuda o consumidor a entender que a aparência profissional de um aplicativo ou site, por si só, não significa que aquela operação esteja regularizada.
Aplicativos são desenhados para parecer seguros
Um dos pontos de maior destaque foi a forma como as plataformas chegam ao consumidor. Marketing intenso, cores, personagens, recursos visuais semelhantes aos de videogames e uma estética aparentemente inofensiva ajudam a criar uma sensação de familiaridade e segurança.
Esse ambiente ganha uma dimensão ainda maior porque as apostas estão disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Diferentemente de modalidades presenciais, o usuário pode jogar escondido, durante a madrugada, no trabalho, no transporte ou em praticamente qualquer outro momento, bastando ter um celular conectado.
A apresentação também tratou da liberação de dopamina e dos mecanismos associados ao comportamento de repetição, contextualizando como o jogo pode deixar de ser apenas entretenimento e avançar para uma relação problemática.
"Não existe jogo responsável" - frase marca palestra na tarde de quinta-feira
Entre os grupos que exigem atenção estão os jovens e as pessoas em situação de vulnerabilidade financeira. A baixa educação financeira também aparece como um agravante quando o apostador passa a enxergar a bet como possibilidade de investimento ou geração de renda, em vez de compreender o risco de perder o dinheiro colocado no jogo.
Informação para reconhecer os riscos
Durante aproximadamente uma hora e meia, Neide Ayoub também abordou jogos patológicos e sinais que ajudam a compreender quando a relação com apostas começa a ultrapassar os limites do entretenimento.
A iniciativa disponibilizou cartilha de orientação e relatório técnico durante a transmissão além de oferece certificado de participação para quem necessita comprovar a atividade. O conteúdo amplia o acesso a informações para consumidores, famílias, educadores e demais interessados em compreender melhor um fenômeno que passou a fazer parte do cotidiano digital.
Uma nova palestra sobre o tema está prevista para setembro, abrindo outra oportunidade para acompanhar as orientações do Procon sobre jogos e apostas. As inscrições podem ser realizadas neste link.
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