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Gastronomia & Turismo • 12:01h • 21 de fevereiro de 2026

Azeite extravirgem pode reduzir gordura abdominal mesmo sem cortar calorias, indica estudo

Tipo de gordura consumida influencia acúmulo na região da cintura e muda foco da nutrição moderna

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Qualidade da gordura pode pesar mais que calorias na gordura da barriga
Qualidade da gordura pode pesar mais que calorias na gordura da barriga

O azeite de oliva extravirgem voltou ao centro das discussões sobre alimentação saudável após pesquisas indicarem associação entre seu consumo regular e menor concentração de gordura abdominal. O dado reforça uma mudança importante na nutrição: não é apenas a quantidade de calorias que importa, mas o tipo de gordura que compõe a dieta.

Um dos estudos mais relevantes sobre o tema analisou dados do ensaio clínico Predimed, que acompanhou mais de 7.400 adultos espanhóis com alto risco cardiovascular. Participantes que seguiram dieta mediterrânea suplementada com azeite extravirgem apresentaram menor acúmulo de gordura visceral ao longo do tempo, em comparação com grupos que adotaram dietas com baixo teor de gordura.

A gordura visceral, localizada na região abdominal, está associada a maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina e inflamação crônica. A diferença observada no estudo ocorreu mesmo sem redução calórica significativa, sugerindo que a qualidade da gordura pode interferir na forma como o corpo armazena tecido adiposo.

O efeito é atribuído principalmente à presença de ácidos graxos monoinsaturados, especialmente o ácido oleico, além de compostos fenólicos com ação antioxidante e anti-inflamatória. Esses componentes participam da regulação do metabolismo lipídico e da sensibilidade à insulina, fatores diretamente ligados ao acúmulo de gordura na região da cintura.

Revisões científicas recentes também apontam tendência semelhante. Publicação na revista Nutrients, em 2023, relacionou dietas ricas em azeite extravirgem a menores medidas de circunferência abdominal, mesmo quando não houve perda expressiva de peso corporal. O dado sugere possível redistribuição da gordura, com redução do tecido mais associado a riscos metabólicos.

No Brasil, cresce o interesse por padrões alimentares inspirados na dieta mediterrânea, que inclui frutas, vegetais, grãos integrais, peixes e azeite extravirgem como principal fonte de gordura. Iniciativas de valorização de produtos tradicionais têm contribuído para ampliar o acesso a esses ingredientes no cotidiano.

Apesar dos resultados positivos, o azeite não deve ser visto como solução isolada. Por ser calórico, o consumo precisa ser moderado. Estudos costumam indicar entre duas e quatro colheres de sopa por dia dentro de um padrão alimentar equilibrado.

As evidências reforçam uma virada na abordagem nutricional contemporânea. Em vez de eliminar gorduras indiscriminadamente, a ciência aponta que escolher melhor a fonte de gordura pode influenciar diretamente o perfil metabólico e a distribuição da gordura corporal.

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