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Ciência e Tecnologia • 10:44h • 29 de setembro de 2024

Autodisseminação de larvicida por mosquitos reduz casos de dengue em BH

Estratégia deve ser adotada para o controle do mosquito que transmite a dengue

Da Redação com informações da Fiocruz | Foto: Divulgação Fiocruz

Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia

Um projeto desenvolvido por pesquisadores do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia) e do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) junto à secretaria municipal de Saúde de Belo Horizonte mostra que a “autodisseminação” de larvicidas por mosquitos urbanos pode ajudar no controle das doenças transmitidas por esses mesmos mosquitos, como a dengue. O projeto distribuiu uma média de 2.500 ‘Estações disseminadoras de larvicida’ (EDLs) em nove bairros de Belo Horizonte ao longo de dois anos.

A intervenção reduziu a incidência de dengue em 29% nesses bairros, e em 21% nos bairros adjacentes, em comparação com os 258 restantes da cidade. Os resultados foram publicados, no dia 19/9, na revista The Lancet Infectious Diseases. Em julho, a tecnologia de EDLs foi oficialmente considerada pelo Governo Federal como uma das novas estratégias nacionais para o controle dos principais vetores da dengue, Aedes aegypti e Aedes albopictus.

“Nosso ensaio demonstra a eficácia do método no controle da dengue. Estudos anteriores mostraram os efeitos da autodisseminação de larvicidas sobre as populações de mosquitos, mas sem uma avaliação direta do impacto epidemiológico”, explica Sérgio Luz, coordenador do Núcleo de Patógenos, Reservatórios e Vetores na Amazônia (PReV Amazônia) e responsável pela pesquisa, juntamente aos pesquisadores Fernando Abad-Franch e José Joaquin Carvajal Cortes, ambos pesquisadores do Núcleo PReV Amazônia.

A estratégia da autodisseminação utiliza os próprios mosquitos para transferir partículas do larvicida das EDLs para criadouros não tratados diretamente. “Os mosquitos funcionam como uma espécie de “polinizadores” que levam o pó de larvicida para outros criadouros, que muitas vezes não são atingidos pelas ações tradicionais de controle – por estarem, por exemplo, em prédios fechados ou terrenos baldios, ou porque simplesmente são pequenos e muito difíceis de encontrar. Ninguém melhor do que o próprio mosquito para saber onde ficam os locais adequados para colocar seus ovos”, comenta Luz.

Sergio Luz ressalta que a equipe de pesquisadores mostrou, em trabalhos anteriores, que essa autodisseminação de larvicida pode atingir criadouros situados a distâncias de até 400 metros, reduzindo a abundância de mosquitos urbanos tanto na Amazônia quanto no Brasil central. “Agora”, explica o pesquisador, “mostramos que esse impacto nos vetores se traduz em uma diminuição significativa do número de casos de dengue”.

De acordo com o estudo, o fato de que a incidência de dengue também diminuiu, embora mais modestamente, nos bairros contíguos aos da intervenção sugere que os mosquitos disseminaram o larvicida para além dos limites da área de instalação de EDLs. Essa mobilidade dos vetores, contudo, também significa que provavelmente houve entrada de mosquitos de bairros não tratados para a área de intervenção, reduzindo em alguma medida o efeito das EDLs.

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