Saúde • 09:42h • 08 de setembro de 2026
Até 15 tentativas: por que crianças precisam reencontrar um alimento antes de aceitá-lo
Resistência a novos sabores é comum entre 2 e 6 anos; pressão, recompensas e substituição imediata do prato podem dificultar o processo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Textual Comunicação | Foto: Divulgação
A aceitação de um novo alimento por uma criança pode exigir de oito a 15 exposições, especialmente entre os 2 e 6 anos, período em que a resistência a sabores, texturas e preparações desconhecidas é comum. Segundo a nutricionista Raquel Senna, professora de Nutrição do IBMR, oferecer o alimento novamente, sem pressão e em experiências positivas, pode aumentar as chances de incorporá-lo à alimentação infantil.
Esse comportamento é chamado de neofobia alimentar e está relacionado à tendência da criança de desconfiar do que ainda não conhece. A recusa, portanto, não significa necessariamente que determinado alimento nunca será aceito. “Alguns estudos mostram que pode levar, em média, de 8 a 15 exposições para que a criança aceite um novo alimento. O importante é que essas experiências sejam positivas para as crianças”, explica Raquel.
A atenção à alimentação infantil ganha relevância diante dos indicadores de excesso de peso. Atualmente, um em cada três brasileiros de 0 a 9 anos apresenta excesso de peso, segundo o Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes, do Instituto Desiderata, elaborado com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).
O que fazer depois que a criança diz não
A orientação é continuar oferecendo o alimento em diferentes preparações, sem obrigar a criança a consumi-lo. Servir uma novidade ao lado de alimentos que ela já conhece, permitir sua participação no preparo das refeições e levá-la à feira são formas de ampliar o contato com frutas, legumes e verduras.
O comportamento dos adultos também influencia esse aprendizado. Pais e cuidadores que consomem os alimentos apresentados à criança ajudam a tornar sabores e preparações mais familiares dentro da rotina da família.
Em sentido contrário, insistir para que ela coma, transformar a refeição em conflito, preparar imediatamente outro prato após uma recusa ou usar sobremesas como recompensa pode tornar a experiência mais difícil.
Esconder legumes nem sempre ajuda na aceitação
Misturar legumes e verduras em bolos, molhos ou panquecas pode aumentar pontualmente o consumo de nutrientes, mas não ensina a criança a reconhecer esses alimentos, seus sabores e suas texturas.
A nutricionista alerta ainda que descobrir ingredientes escondidos pode afetar a confiança da criança. A recomendação é que esse recurso seja usado apenas ocasionalmente, mantendo os alimentos também visíveis e apresentados de diferentes maneiras ao longo das refeições.
A aceitação ocorre gradualmente e pode variar de uma criança para outra. Por isso, a orientação é respeitar esse tempo e evitar que experimentar um alimento novo se transforme em pressão ou negociação durante as refeições.
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