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Variedades • 17:10h • 23 de outubro de 2026

Assis, São Paulo e Brasil estão preparados para enfrentar um El Niño sem precedentes?

Previsões acompanhadas ao longo de 2026 levantam uma preocupação sobre a capacidade de Assis, do estado de São Paulo e do Brasil de enfrentar eventos climáticos que podem superar os registros históricos

Artigo | Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Âncora1/Ilustração

O El Niño pode surpreender, mas a falta de preparação não pode ser uma surpresa
O El Niño pode surpreender, mas a falta de preparação não pode ser uma surpresa

Estamos preparados para enfrentar um evento climático sem precedentes? Essa pergunta vem me preocupando diante das previsões sobre o El Niño que acompanhamos ao longo de 2026, especialmente agora, quando nos aproximamos do fim de outubro e do período em que algumas projeções apontavam mudanças mais significativas nas condições climáticas.

Durante todo esse período, o Âncora1 acompanhou as atualizações dos órgãos meteorológicos, divulgando as probabilidades de ocorrência do fenômeno conforme novos estudos, informações e imagens eram apresentados. Muito se falou sobre sua possível intensidade, sobre temperaturas elevadas, períodos de seca e chuvas extremas, com volumes que podem provocar consequências importantes em diferentes regiões do país.

Entre tantas informações, uma expressão utilizada em alertas sobre eventos climáticos merece atenção especial, sem precedentes. Afinal, quando estamos diante da possibilidade de algo que pode superar nossas referências históricas, como podemos afirmar que estamos preparados para enfrentá-lo?

Minha preocupação começa por Assis, onde moro, mas não se limita à cidade. Estende-se aos municípios da região, ao estado de São Paulo e ao Brasil, especialmente às autoridades que possuem responsabilidades e poder de decisão para organizar medidas capazes de proteger a população.

O que significa estar preparado para o desconhecido?

Quando falamos em um acontecimento sem precedentes, estamos considerando algo que não encontra comparação equivalente nos registros anteriores, uma situação que pode ultrapassar aquilo que já conhecemos e enfrentamos. A ciência consegue estudar possibilidades, desenvolver projeções e antecipar riscos, mas isso não elimina a dificuldade de lidar com consequências que podem superar nossas experiências.

Costumo pensar nessa expressão como uma palavra desconhecida, cujo significado alguém nos pede para explicar. Podemos tentar associá-la a outras palavras, imaginar seu sentido e procurar referências, mas, se nunca a conhecemos, não temos como oferecer uma explicação segura apenas com aquilo que já sabemos.

Minha reflexão sobre os eventos climáticos segue esse raciocínio. Podemos preparar respostas para situações que já aconteceram, estudar os problemas conhecidos e organizar medidas preventivas, mas será que estamos considerando também aquilo que ainda não imaginamos?

Tenho acompanhado diversas iniciativas da Defesa Civil, com treinamentos, orientações e ações voltadas à prevenção de desastres. É um trabalho importante, que merece reconhecimento, inclusive pela preocupação em informar a população e os veículos de comunicação. No Âncora1, temos satisfação em divulgar essas iniciativas porque compreendemos sua importância para a segurança coletiva.

Minha preocupação, entretanto, envolve também os demais órgãos e os municípios menores, que nem sempre possuem a mesma estrutura ou capacidade de resposta. Como está sendo essa preparação? As autoridades estão discutindo os possíveis cenários? Os responsáveis pelas decisões estão acompanhando as atualizações científicas e incorporando novas informações aos seus planejamentos?

Não estou afirmando que essas providências não estejam acontecendo, mas considero necessário questionar se a preparação existente é suficiente diante da possibilidade de situações que ultrapassem os registros conhecidos.

Uma experiência que ainda está na nossa memória

A pandemia de Covid-19 oferece uma referência recente sobre a dificuldade de enfrentar acontecimentos de grandes proporções. Antes de vivermos aquela realidade, tínhamos conhecimentos científicos, estudos e experiências anteriores com doenças infecciosas, mas a dimensão da crise apresentou desafios que exigiram adaptações e decisões durante seu próprio desenvolvimento.

Algumas medidas antecipadas ajudaram a minimizar consequências, enquanto outras precisaram ser construídas conforme surgiam problemas que não haviam sido previstos daquela maneira. Não se trata de comparar diretamente uma pandemia com um fenômeno climático, mas de reconhecer que situações excepcionais podem exigir respostas diferentes daquelas com as quais estamos acostumados.

A experiência também mostrou a importância de ouvir a ciência e considerar os alertas antes que os problemas alcancem proporções maiores. O negacionismo, a desinformação e a resistência às evidências científicas não contribuem para enfrentar situações que exigem conhecimento, responsabilidade e decisões fundamentadas.

As previsões sobre o El Niño precisam ser compreendidas dentro desse mesmo compromisso com a informação científica, respeitando as probabilidades, as atualizações e as incertezas próprias dos estudos climáticos. Não existe garantia de que os cenários mais extremos vão se confirmar, assim como não podemos afirmar que seus efeitos serão iguais em todas as regiões, mas a existência dessas possibilidades já deveria estimular discussões sobre prevenção.

O que ainda não estamos considerando?

Se alguém me perguntar o que exatamente pode acontecer ou quais medidas deveriam ser adotadas, minha resposta será sincera, eu também não sei. Não sou especialista em meteorologia ou gestão de desastres, sou jornalista e acompanho essas informações com a preocupação de quem vive em uma cidade, observa sua região e compreende a importância das decisões tomadas pelas autoridades.

Talvez essa seja a principal razão para ampliar o debate, ouvir diferentes profissionais, considerar sugestões, imaginar cenários e procurar identificar situações que ainda não foram suficientemente discutidas. O que pode acontecer além daquilo que já conhecemos? Quais possibilidades precisam ser estudadas? Quem pode contribuir com informações e propostas capazes de melhorar nossa preparação?

Acredito que essas perguntas deveriam fazer parte de uma discussão permanente, principalmente entre aqueles que possuem responsabilidades sobre a segurança da população. Não precisamos esperar que uma previsão se confirme para começar a pensar em suas possíveis consequências, especialmente quando os estudos já oferecem elementos para considerar riscos e desenvolver medidas preventivas.

Estamos na última semana de outubro, período que se aproxima daquele indicado em algumas das previsões acompanhadas ao longo do ano, e a possibilidade de um El Niño intenso continua exigindo atenção às atualizações dos órgãos especializados. Reconheço o trabalho que já vem sendo desenvolvido, particularmente pela Defesa Civil do Estado de São Paulo, mas considero importante que essa preocupação alcance todos os setores envolvidos na organização e na proteção das comunidades.

Não sei se teremos um El Niño histórico, quais serão seus efeitos específicos em Assis ou se os cenários mais severos vão se confirmar. Minha preocupação não depende de transformar previsões em certezas, mas de reconhecer que existem riscos que precisam ser considerados enquanto ainda temos condições de nos preparar.

A expressão "sem precedentes" carrega justamente essa inquietação, porque nos coloca diante da possibilidade de enfrentar algo para o qual nossas experiências anteriores talvez não ofereçam todas as respostas. Não podemos prever absolutamente tudo, mas podemos ouvir, discutir, estudar e imaginar situações que ajudem a reduzir consequências.

Se estamos diante da possibilidade de um evento sem precedentes, precisamos começar a perguntar agora o que ainda não fizemos, o que não estamos considerando e até onde estamos realmente preparados para enfrentar aquilo que pode chegar.

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