Ciência e Tecnologia • 16:42h • 18 de agosto de 2026
Após décadas sem registros, plantas consideradas possivelmente extintas são encontradas em MG
Espécies raras e exclusivas do Quadrilátero Ferrífero foram localizadas por pesquisadores em áreas protegidas; trabalho agora busca multiplicar exemplares e ampliar a conservação
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Plantas tão raras que não eram encontradas na natureza havia décadas e chegaram a ser consideradas possivelmente extintas voltaram a ser localizadas no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Entre as espécies redescobertas estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como sempre-vivas ou chuveirinho.
Os achados ocorreram durante trabalhos de campo do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, desenvolvido por universidades, instituições de pesquisa e pela Vale dentro da Rede Propagar. Algumas das plantas procuradas pelos cientistas estavam há mais de 30 anos sem registros, enquanto outras incluídas na relação de espécies-alvo não eram observadas havia mais de um século.
A região onde foram encontradas possui características bastante específicas. As plantas vivem em ambientes de solo ferruginoso, entre rochas, com forte exposição ao sol e períodos de pouca disponibilidade de água. Algumas são endêmicas, o que significa que só existem naturalmente naquela parte de Minas Gerais.
Pequenas plantas que sobreviveram por décadas
A Paepalanthus magalhaesii cresce rente ao solo e tem aparência semelhante a pequenos pompons espalhados entre as rochas. Durante décadas, havia dúvidas sobre sua permanência na natureza, até que exemplares foram encontrados em áreas protegidas de Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca, entre Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.
Já a Coracoralina amoena está entre as espécies consideradas mais raras. Ela sobrevive em áreas rochosas onde há pouco solo, exposição intensa ao sol e escassez de água durante parte do ano. A planta também já havia sido apontada na literatura científica como possivelmente desaparecida da natureza.
Essa capacidade de sobreviver em condições de estresse hídrico e térmico torna as espécies importantes não apenas para a manutenção do ecossistema. Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, suas características também podem despertar interesse para estudos futuros em áreas como genética, biotecnologia e farmacologia.
A pesquisadora associada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Laís Zeferino destaca que as redescobertas mostram quanto ainda há para conhecer sobre a biodiversidade brasileira. “Ainda não encontramos tudo e não vimos tudo”, afirmou.
Exemplares serão estudados e multiplicados
O trabalho não termina com a localização das plantas. O material coletado foi encaminhado aos laboratórios que integram a Rede Propagar, onde será submetido a estudos e sequenciamento genético.
Os pesquisadores também pretendem desenvolver técnicas para reproduzir essas espécies e, futuramente, reintroduzir novos exemplares na natureza. Parte do material será mantida em coleções científicas de referência para identificação e novos estudos.
O desafio é especialmente complexo porque ainda existem grandes lacunas de conhecimento sobre a reprodução e o desenvolvimento dessas plantas. A pesquisa deverá avançar desde a caracterização genética até métodos para produção de mudas e recuperação dos ambientes onde elas conseguem sobreviver.
A conservação ganha ainda mais importância porque, segundo os responsáveis pelo projeto, mais de 30% das espécies presentes no ecossistema estudado ocorrem exclusivamente naquela região. Encontrar novamente plantas consideradas perdidas, portanto, abre uma nova oportunidade para compreender, multiplicar e tentar preservar espécies que sobreviveram por décadas em ambientes extremamente restritos.
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