Saúde • 08:55h • 06 de agosto de 2026
Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe
Produção de leite libera hormônios que melhoram funções do coração
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A amamentação pode trazer benefícios não apenas para o bebê, mas também para a saúde da mãe. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mulheres que amamentam apresentam cerca de 11% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação com aquelas que não amamentam.
De acordo com a entidade, quanto maior o período de amamentação, maiores tendem a ser os benefícios. Estudos apontam que mulheres que amamentam por aproximadamente 18 meses, somando todas as gestações, têm redução de cerca de 12% no risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de 14% no risco de infarto.
A cardiologista Alexandra Oliveira de Mesquita, vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, ressalta que esses dados não significam que mulheres que não amamentam tenham maior risco de doenças cardiovasculares, mas indicam que a lactação exerce um efeito protetor sobre o organismo materno.
Durante a gravidez, ocorrem alterações hormonais e metabólicas, como aumento da resistência à insulina e elevação dos níveis de colesterol e gorduras no sangue. Na fase de amamentação, porém, o organismo passa por um processo de reorganização metabólica. A produção de leite melhora a sensibilidade à insulina, utiliza parte da glicose circulante e reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuindo o esforço do coração.
Hormônios e proteção ao coração
A lactação também estimula a liberação de hormônios como ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e hormônio do crescimento. A ocitocina, conhecida como "hormônio do amor", está entre os principais responsáveis pelos efeitos protetores, contribuindo para melhorar a circulação sanguínea, favorecer a dilatação dos vasos e proteger o músculo cardíaco.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a amamentação também ajuda o organismo a utilizar as reservas de gordura acumuladas durante a gestação, o que pode contribuir para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
As doenças do coração representam atualmente cerca de um terço das mortes entre mulheres no Brasil, superando, inclusive, os óbitos por câncer de mama. Além de fatores comuns aos homens, como hipertensão, diabetes, sedentarismo e obesidade, as mulheres também apresentam fatores de risco específicos, entre eles menopausa precoce, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, complicações na gravidez e diabetes gestacional.
Celebrado em 1º de agosto, o Dia Internacional da Amamentação integra a Semana Mundial do Aleitamento Materno. Em 2026, a campanha tem como tema "Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona", reforçando a importância do aleitamento materno para a saúde de mães e crianças.
Além da proteção cardiovascular, especialistas destacam que a amamentação oferece diversos benefícios, como fortalecimento da imunidade do bebê, recuperação da mãe no pós-parto, fortalecimento do vínculo afetivo, auxílio no desenvolvimento infantil, prevenção de alguns tipos de câncer materno, contribuição para o planejamento familiar e redução dos gastos com fórmulas e suplementos infantis.
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