Responsabilidade Social • 12:35h • 26 de novembro de 2025
Alimentação de conforto: novo guia propõe cuidado mais humano para pessoas com demência avançada
Obra de fonoaudiólogas brasileiras reúne evidências científicas e práticas clínicas para orientar equipes de saúde na adoção de estratégias orais seguras, dignas e centradas no bem-estar
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MV Assessoria | Foto: Divulgação
A alimentação deixou de ser apenas uma necessidade nutricional no contexto da demência avançada e passou a representar um dos pilares mais sensíveis do cuidado. Com o envelhecimento da população e o aumento do número de pessoas vivendo com demência em estágios moderados e avançados, profissionais de saúde têm buscado alternativas que priorizem conforto, segurança e dignidade. Evidências científicas mostram que a alimentação oral adaptada, conhecida como alimentação de conforto, tem se tornado a abordagem preferencial em comparação a métodos invasivos, como sondas nasogástricas ou gastrostomias.
Pesquisas recentes indicam que a alimentação por sonda, amplamente utilizada no cuidado hospitalar e domiciliar, não melhora o estado nutricional nem prolonga a sobrevivência de pessoas com demência avançada. Ao contrário, estudos mostram aumento da mortalidade, maior risco de pneumonia aspirativa e impacto negativo na qualidade de vida. Revisões internacionais também apontam que o uso de sondas não reduz dor ou desconforto e pode elevar o risco de úlceras de pressão e outras complicações.
Um estudo populacional publicado no JAMA Network Open em 2025 analisou mais de 143 mil idosos hospitalizados com demência no Canadá e reforçou esses achados. Pacientes que receberam sonda apresentaram maior permanência em UTI, maior mortalidade hospitalar e menor sobrevida após a alta. Cerca de 50% faleceram em até um ano, contra 28% entre aqueles que não foram submetidos ao procedimento, apontando para ausência de benefício clínico e potencial aumento de sofrimento.
Indicação de obra
É nesse cenário que surge o livro Alimentação de Conforto para Pessoas com Demência Avançada: Novo Guia Prático para Profissionais de Saúde, escrito pelas fonoaudiólogas Juliana Venites e Cristina Zerbinati. A obra propõe um novo padrão de cuidado, baseado em evidências e práticas multidisciplinares, reunindo contribuições de áreas como nutrição, geriatria, psicologia e terapia ocupacional.
Segundo Juliana Venites, a alimentação de conforto resgata o valor simbólico e afetivo das refeições. “A alimentação de conforto respeita a dignidade e o vínculo afetivo que o ato de comer representa, ao invés de priorizar vias artificiais que muitas vezes distanciam o paciente do significado humano da refeição”, afirma.
Para Cristina Zerbinati, o livro também acolhe os profissionais que enfrentam esse desafio diariamente. “Este guia foi pensado para oferecer não apenas embasamento científico, mas orientações práticas e sensíveis que auxiliem os profissionais de saúde a reafirmar o cuidado como presença, e não como simples reposição nutricional.”
A obra percorre temas como o significado cultural do ato de comer, as mudanças na fisiologia da fome durante a demência e o manejo clínico da inapetência. O papel do fonoaudiólogo ganha destaque, considerando sua atuação direta na segurança da deglutição e nas adaptações necessárias para que o paciente possa manter a via oral sempre que possível.
Com abordagem centrada no cuidado humanizado, o guia se alinha às melhores práticas internacionais e reforça que alimentar não é apenas nutrir. É oferecer conforto, preservar vínculos e manter a dignidade até os estágios finais da vida.
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