• ICMS reforça caixa de Assis com mais de R$ 2,2 milhões e fecha janeiro acima de R$ 4,6 milhões
  • API, LGPD e mensagens em 2026: o que empresas podem ou não fazer na comunicação digital
  • Representatividade e infância: o que a Barbie autista revela sobre meninas com TEA
Novidades e destaques Novidades e destaques

Responsabilidade Social • 13:08h • 10 de novembro de 2024

‘Ainda Estou Aqui’: filme conecta público à Comissão sobre Mortos e Desaparecidos

Longa-metragem mostra o drama da família do ex-deputado-federal Rubens Paiva. Entenda as relações da obra com as políticas pública sob gestão do Ministério dos Direitos Humanos

Da Redação/Agência Gov | Foto: Sony Pictures

Cena do filme: esposa e mãe em busca do marido e pai desaparecido
Cena do filme: esposa e mãe em busca do marido e pai desaparecido

Estreiou na quinta-feira (7) nos cinemas brasileiros o filme ‘Ainda estou aqui’, do diretor Walter Salles, com a narração da história de Eunice Paiva, ativista pelo reconhecimento das vítimas da ditadura militar. Nas telas, famílias brasileiras poderão conhecer a saga da viúva do ex-deputado federal Rubens Paiva, preso pelo Estado em janeiro de 1971. Desde então, o político fora considerado desparecido político até, mais de 40 anos depois, ter sua morte confirmada pela Comissão Nacional da Verdade.

Essa história, que em 2024 ganha repercussão internacional, se cruza com os trabalhos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), responsável por criar mecanismos que impeçam novos períodos sombrios a exemplo da ditadura, quando familiares foram alijados de seus direitos desde o acesso à informação até o de sepultar seus mortos com dignidade.

Criada em 1995, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) atende às reivindicações das famílias de desaparecidos políticos, a exemplo de Eunice Paiva, encarnada no filme pela atriz Fernanda Torres. Relato do filho de Eunice, Marcelo Rubens Paiva, no livro homônimo publicado em 2015, que ora chega aos cinemas, dimensiona o drama vivido pelos familiares. “Depois de vinte e cinco anos, minha mãe pôde enfim se considerar viúva, mexer em aplicações bancárias do meu pai, bens, fazer um inventário”, denuncia.

Após ter sido encerrada no apagar das luzes pela gestão 2019-2022, a CEMDP, que tem apoio administrativo do MDHC, foi reaberta pela atual gestão a fim de garantir o direito à memória, à elucidação da verdade e à reparação a familiares de pessoas vitimadas pela ditadura e demais reivindicações sugeridas pela Comissão Nacional da Verdade em 2014.


Familiares de desaparecidos em protesto, em Brasília (Foto: Clarice Castro)

Entre elas, o coordenador-geral de Apoio à Comissão, Caio Cateb, rememora a fala de Marcelo no livro sobre a importância da emissão do atestado de óbito como um direito dos familiares. “Se você parar para pensar que, se a pessoa está desaparecida, logo ela não tem uma certidão de óbito, então, se a pessoa morreu, a família precisa abrir um processo de inventário e não tinha um documento de óbito sobre aquelas pessoas”, contextualiza.

Ao detalhar as funções do setor, Caio reforça novamente o relato do livro ao reconhecer a luta da sociedade civil e dos familiares – o que resultou na redação da lei. “Ela é fruto dessa luta e tem, entre as suas atribuições, dois eixos principais: de reconhecer as pessoas desaparecidas enquanto mortas e o de reparação com o pagamento de indenização para todas as famílias”, explica.

Composta por sete membros, a comissão completa três décadas de existência no próximo ano e pretende, além das entregas das certidões de óbito retificadas, intensificar as retomadas dos trabalhos de busca e identificação dos desaparecidos políticos. Um dos casos emblemáticos desse trabalho foi o processo de análise e identificação de restos mortais do cemitério Dom Bosco, em São Paulo, onde 1.049 ossadas foram retiradas de uma vala do cemitério do bairro de Perus.

Eugênia Gonzaga, procuradora regional da República e presidente da CEMDP, espera com a história contada no filme uma contribuição para a luta e a visibilidade pela preservação da memória na sociedade, inclusive das autoridades do judiciário brasileiro. “A arte é a melhor forma possível de explicar, de sensibilizar as pessoas que não fazem ideia do que aconteceu no passado sobre a gravidade desse período”, enfatiza.

Memórias coletivas

Paula Franco, pesquisadora e coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade do MDHC, relembra estudos fundamentados na ciência política que apontam o prejuízo ao não falar sobre o passado ou não criminalizar pessoas que foram violentas. “É por isso que existe uma percepção de que o emprego de políticas públicas visando à memória, construídas a partir do acesso à verdade, têm o potencial de inibir, ou, de fato, barrar novas ondas de violações sistemáticas, porque justamente o Estado vai transitando para um novo lugar”, pontua.

A gestora tem expectativas positivas com a estreia do filme e com o debate público em cima da temática. De acordo com Franco, o longa tem um alinhamento direto com as políticas públicas que norteiam os trabalhos do MDHC de encontrar meios para que as investigações sobre o passado sejam cada vez mais completas, abarquem mais grupos e cheguem a mais pessoas.

Para a pesquisadora, os desafios da luta por memória e facilitação de acesso à verdade é uma realidade para qualquer país. Essa realidade, no entanto, não poderá ser superada sem relatos sobre o passado, calcados em uma narrativa realista, resultado de investigação, com documentações e testemunhas, a fim de construir uma memória social. “A memória carrega uma possibilidade pedagógica, de aprendizado. A gente aprende justamente porque a gente tem memória. Passamos as histórias de geração em geração porque a gente tem memória”, frisa.

Caio também acredita nessa possibilidade pedagógica e de sensibilização amplificada através da arte. “É uma forma de sensibilizar, mas também de aproximar e humanizar. As pessoas acabam percebendo, nesse tipo de conteúdo, o quão próximo isso é de nós. Quando você aproxima uma história dessas de uma mãe e de seus filhos, você está vendo o impacto disso na vida de uma família e vai encontrar histórias parecidas de pessoas que têm algum marco de uma violência ao seu redor e que impactaram as relações familiares”, relaciona.

Assim como o livro, o filme ‘Ainda estou aqui’ relata violações de direitos a partir de um seio familiar. Para Paula, a projeção da história tem o potencial de conectar, estabelecer pontes e aproximar o debate das novas gerações. “Ela não é [apenas] uma história do Rubens Paiva, de um sujeito que foi perseguido, impactado pela violência. Ela é a história de muitas pessoas. E a gente vai perceber também que essa violência, ocorrida ali na década de 1970, também pode dialogar com violências que ocorreram depois e impactaram famílias”, conclui Paula, refletindo sobre o trabalho desenvolvido pela CEMDP em diálogo com a demanda da sociedade civil para efetivar os direitos à memória e à verdade no país.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Cidades • 12:28h • 27 de janeiro de 2026

Curso gratuito de Cozinhalimento em Quatá está com inscrições abertas até quinta

Inscrições presenciais seguem abertas até quinta-feira, dia 29, na Secretaria de Promoção Social

Descrição da imagem

Esporte • 12:00h • 27 de janeiro de 2026

Vocem apresenta projeto 2026 com foco na base, gestão responsável e novo ciclo em Assis

Evento no Feijó Music and More reuniu diretoria, elenco, autoridades e patrocinadores para marcar o início de um novo momento do clube

Descrição da imagem

Saúde • 11:48h • 27 de janeiro de 2026

Inflamação intestinal ativa aumenta risco de ansiedade, depressão e distúrbios do sono, aponta estudo

Pacientes com doença de Crohn que estavam com a inflamação ativa no intestino apresentaram pior qualidade do sono, mais cansaço, fadiga e sintomas de ansiedade e depressão

Descrição da imagem

Saúde • 11:03h • 27 de janeiro de 2026

Sal, azeite e doce de leite na mira da Anvisa; confira

Produtos não podem ser comercializados

Descrição da imagem

Educação • 10:46h • 27 de janeiro de 2026

Prouni 2026: abertas as inscrições para o primeiro semestre

Candidatos ao processo seletivo do 1º semestre de 2026 do Programa Universidade para Todos podem se inscrever até 29/1 pelo Portal Acesso Único. Com mais de 594 mil bolsas, essa é a maior oferta da história do Prouni

Descrição da imagem

Saúde • 10:04h • 27 de janeiro de 2026

Após cinco anos de vacinação, covid recua, mas ainda preocupa

Em 2025, foram registradas 1,7 mil mortes após infecção da doença

Descrição da imagem

Policial • 09:45h • 27 de janeiro de 2026

Botão do pânico e BO digital: como aplicativo reforça a proteção de mulheres contra a violência

Aplicativo SP Mulher Segura foi desenvolvido pelo Governo de São Paulo para ampliar a rede de acolhimento e proteção às vítimas

Descrição da imagem

Saúde • 09:21h • 27 de janeiro de 2026

Por que a vacina que combate bronquiolite é importante para gestantes e bebês?

Imunizante será oferecido no SUS pela primeira vez, devido a uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana Pfizer

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar