Variedades • 19:49h • 14 de agosto de 2026
Adolescentes querem uma internet diferente: 71% defendem mudanças no ambiente digital
Pesquisa com mais de 500 jovens mostra uma relação de contrastes com o mundo digital: 39% acreditam já ter perdido tempo de estudo e 69% aceitariam ajuda para lidar melhor com o uso da internet
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Arquivo/Âncora1
A internet diverte, aproxima amigos, desperta curiosidade e ajuda nos estudos, mas os próprios adolescentes reconhecem que há algo a ser corrigido nessa relação. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (12), Dia Nacional da Juventude, mostra que metade dos jovens de 13 a 18 anos considera que passa mais tempo online do que gostaria. Ao mesmo tempo, 63% afirmam sentir felicidade quando estão conectados.
O levantamento Adolescência Sem Filtro, encomendado pelo Instituto Alana e realizado pela Agência Koga, ouviu mais de 500 jovens. Um dos resultados mais expressivos é que 71% querem que a internet continue existindo, mas defendem mudanças no ambiente digital. Outros 9% chegam a dizer que ela deveria acabar.
Eles gostam da internet, mas percebem os excessos
Os números ajudam a explicar essa aparente contradição. Para 71%, a internet é espaço de diversão; 63% associam o ambiente digital à felicidade e 55%, à curiosidade. Isso não impede que os adolescentes percebam consequências negativas do uso excessivo.
Além da metade que considera passar tempo demais conectada, 41% dizem sentir maior dependência do celular e 39% acreditam que já perderam tempo de estudo por causa da internet.
Há também tentativas de controlar a própria experiência. Segundo a pesquisa, 44% bloqueiam contas ou conteúdos considerados nocivos e 32% fazem pausas durante o dia. Entre os entrevistados, 69% afirmaram estar abertos a receber ajuda para lidar melhor com essa relação.
A especialista em Planejamento Estratégico de Comunicação do Instituto Alana, Gabriela Barbosa, avalia que os resultados revelam consciência sobre os benefícios e os problemas do ambiente digital. “O tempo gasto na internet é uma grande preocupação para eles”, afirmou.
Redes sociais dominam o cotidiano online
As redes sociais aparecem como a atividade mais frequente, citadas por 46% dos entrevistados. Conversar com amigos e familiares aparece com 37%, seguido por jogos, com 30%; estudos, com 23%; e vídeos, com 21%.
A pesquisa encontrou diferenças entre meninos e meninas. Entre eles, 66% utilizam a internet para jogar, contra 44% delas. Já conversar com familiares e amigos é mais frequente entre as meninas, 64% contra 50%, assim como estudar, atividade citada por 60% delas e 46% deles.
A responsabilidade pela construção de um ambiente digital melhor também aparece nas respostas. Quase metade, 49%, atribui responsabilidade às próprias plataformas, enquanto 43% defendem maior controle sobre elas.
Adolescentes também participaram como pesquisadores
Uma particularidade do levantamento foi incluir oito adolescentes, entre 13 e 18 anos, como pesquisadores na etapa qualitativa. Cada um realizou entre oito e dez entrevistas com outros jovens.
A estratégia buscou diminuir a interferência da visão dos adultos sobre o assunto e permitir conversas entre pessoas da mesma faixa etária. Mesmo assim, apenas 19% dos entrevistados acreditam atualmente que podem ajudar a transformar a internet.
Esse resultado motivou o tema da edição de 2026 do Prêmio Criativos, promovido pelo Instituto Alana. Com o mote “A internet é nossa”, a iniciativa recebe projetos de estudantes de 10 a 18 anos que proponham maneiras de tornar o ambiente digital mais seguro, inclusivo e acolhedor.
As inscrições seguem até 2 de setembro, com propostas que podem abordar temas como tempo de tela, cyberbullying, saúde mental, inteligência artificial, desinformação e cultura dos influenciadores. Os nove projetos premiados receberão valores que, juntos, chegam a R$ 12 mil.
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