Política • 13:54h • 12 de agosto de 2026
Adesivo eleitoral no carro pode afetar cobertura do seguro; entenda o cuidado antes das eleições
FenSeg alerta que propaganda eleitoral e uso do veículo em atividades de campanha podem alterar o risco previsto na apólice e, sem comunicação à seguradora, provocar problemas em pedidos de indenização
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Âncora1/Ilustração
Com a aproximação das eleições de 2026, motoristas que pretendem colocar propaganda eleitoral no carro ou utilizar o veículo em atividades de campanha precisam observar uma questão que pode passar despercebida: a mudança pode interferir na cobertura do seguro. O alerta é da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
Segundo a entidade, tanto a adesivação com material eleitoral quanto uma alteração na finalidade de uso do automóvel podem representar aumento do risco considerado pela seguradora no momento da contratação. Por isso, a orientação é comunicar previamente a empresa responsável pela apólice.
A atenção é especialmente importante quando o veículo deixa de ter apenas o uso habitual e passa a ser empregado no transporte de materiais de campanha, deslocamento de equipes ou outras atividades de apoio a candidatos ou partidos.
Por que um adesivo pode fazer diferença para o seguro?
De acordo com a vice-presidente da Comissão de Seguro Auto da FenSeg, Keila Farias, veículos identificados com propaganda eleitoral podem ficar mais expostos a situações como vandalismo, acidentes e circulação em eventos públicos.
O problema não está necessariamente na simples existência de um adesivo. O ponto central é se a alteração ou a nova utilização do automóvel modifica o perfil de risco informado à seguradora.
Segundo o alerta da FenSeg, mudanças nesse perfil sem a correspondente atualização da apólice podem resultar em recusa de indenização em situações envolvendo roubo, furto ou colisão.
Por isso, antes de transformar o veículo em instrumento de divulgação ou empregá-lo diretamente em uma campanha, o proprietário deve consultar a seguradora ou o corretor responsável pelo contrato.
Uso do carro em campanha também exige atenção
Um automóvel contratado para determinado perfil de utilização pode passar a circular com frequência diferente durante uma campanha eleitoral. Transporte de materiais, apoio a equipes e deslocamentos relacionados às atividades políticas são exemplos citados como situações capazes de alterar as condições originalmente avaliadas pela seguradora.
Quando necessário, a mudança pode ser formalizada por meio de um endosso, documento utilizado para registrar alterações nas condições da apólice durante sua vigência.
A recomendação é fazer essa verificação antes de iniciar a nova utilização do veículo, e não somente depois de um eventual acidente ou outro sinistro.
Seguro comum pode não pagar pelo próprio adesivo
Outro cuidado envolve o material instalado no automóvel. Conforme a FenSeg, danos aos próprios adesivos, plotagens ou envelopamentos geralmente não fazem parte das coberturas convencionais do seguro automotivo.
Também é necessário verificar as exclusões existentes em cada contrato. Prejuízos associados a situações como tumultos, motins e determinados atos de vandalismo podem estar entre os eventos excluídos da apólice.
Isso torna importante consultar as condições específicas do seguro contratado, já que a existência ou extensão da cobertura depende do contrato de cada veículo.
O que verificar antes de adesivar o veículo
A orientação para quem pretende utilizar o automóvel durante a campanha eleitoral é informar previamente a seguradora sobre a colocação da propaganda e comunicar qualquer mudança na utilização do carro.
Também é recomendável consultar o corretor antes de prestar serviços para candidatos ou partidos, verificar se será necessário fazer um endosso na apólice e conferir quais situações estão excluídas da cobertura.
No caso de envelopamentos ou alterações mais extensas, o proprietário também deve verificar se a modificação exige alguma atualização no registro do veículo junto ao Detran.
O cuidado antecipado evita que uma mudança aparentemente simples seja descoberta somente no momento de solicitar uma indenização. Em ano eleitoral, portanto, quem pretende colocar o carro na campanha precisa olhar não apenas para as regras da propaganda, mas também para as condições previstas no próprio seguro.
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