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Economia • 16:47h • 09 de dezembro de 2025

A inadimplência no ensino superior acende alerta sobre risco de apagão educacional no interior

Relatório do Semesp mostra avanço entre instituições pequenas e expõe ameaça à sustentabilidade do ensino superior fora dos grandes centros

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tree Assessoria | Foto: Divulgação

Relatório aponta risco de apagão educacional em cidades pequenas por alta inadimplência
Relatório aponta risco de apagão educacional em cidades pequenas por alta inadimplência

A inadimplência no ensino superior privado voltou a acender um sinal de alerta em todo o país. O novo relatório divulgado pelo Semesp mostra que, embora tenha ocorrido leve redução no índice total no primeiro semestre de 2025, o cenário ainda é desafiador para estudantes e instituições, especialmente no interior. A inadimplência atingiu 8,73% no período, uma queda de 1,9% em relação ao ano anterior, resultado considerado tímido diante da pressão financeira enfrentada pelas famílias e pela rede privada de ensino superior.

O estudo revela comportamentos diferentes entre as modalidades. Nos cursos presenciais, houve recuo de 3,1% na inadimplência, mas no ensino a distância o índice aumentou 8,4%. A tendência preocupa o setor porque o EAD foi justamente o principal responsável pela ampliação do acesso ao ensino superior nos últimos anos segundo dados recentes do Censo da Educação Superior. A dificuldade de permanência dos estudantes agora se torna um ponto crítico.

Outro destaque do levantamento é o impacto desproporcional nas instituições de pequeno porte. Com até 3 mil alunos e distribuídas majoritariamente em cidades médias e regiões interioranas, elas registraram inadimplência de 12,67%, índice bem acima da média nacional. Esses espaços representam, muitas vezes, a única oferta local de graduação e sustentam a formação de professores, profissionais da saúde, técnicos administrativos e especialistas que permanecem na própria comunidade.

O risco é estrutural. Quando essas instituições enfrentam inadimplência elevada, podem reduzir cursos, interromper atividades ou encerrar operações. A consequência é direta no desenvolvimento regional. A cidade perde oferta de formação, empregabilidade, circulação de renda, inovação e permanência de jovens que buscam qualificação. O impacto ultrapassa fronteiras administrativas e atinge toda a comunidade.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que as instituições de ensino superior devem manter sustentabilidade econômico-financeira compatível com a qualidade e a continuidade de seus cursos. Nesse contexto, a inadimplência não é apenas uma questão de gestão privada. Ela se torna um tema de interesse público e estratégico para o país, com reflexos sociais e territoriais amplos.

A permanência dos estudantes e a estabilidade das instituições são condições essenciais para qualquer meta de ampliação da escolarização no ensino superior, como prevê o texto do Plano Nacional de Educação em discussão na Câmara dos Deputados. Sem enfrentar a raiz do problema, iniciativas de expansão não se sustentam ao longo do tempo.

A inadimplência no ensino superior é, portanto, um desafio que ultrapassa salas de aula e planilhas administrativas. Preservar a viabilidade dessas instituições, sobretudo no interior, é assegurar que milhares de jovens permaneçam em suas cidades e construam oportunidades reais de futuro, com impacto direto no desenvolvimento regional e nacional.

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