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Ciência e Tecnologia • 22:55h • 05 de dezembro de 2025

3I/ATLAS não é cometa: objeto desafia modelos astronômicos e nova imagem da NASA amplia a polêmica

Tabela comparativa rejeita totalmente a hipótese cometária e aponta origem rochosa interestelar; divulgação de imagem menos nítida do Hubble reacende dúvidas sobre o que realmente está passando pelo Sistema Solar

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | com informações do EGUsphere | Foto: Divulgação/NASA

A maior reviravolta astronômica do ano: 3I/ATLAS pode ser fragmento de outro mundo e foto do Hubble divide especialistas
A maior reviravolta astronômica do ano: 3I/ATLAS pode ser fragmento de outro mundo e foto do Hubble divide especialistas

O acompanhamento do 3I/ATLAS ganhou dois capítulos decisivos nos últimos dias. De um lado, um estudo submetido à plataforma científica EGUsphere afirma que o objeto não se encaixa na categoria de cometa tradicional, mas sim em uma relíquia de crosta rochosa interestelar de alta densidade. De outro, uma nova imagem feita pelo telescópio espacial Hubble em 30 de novembro e divulgada pela NASA em 4 de dezembro, a aproximadamente 286 milhões de quilômetros da Terra, passou a ser questionada por analistas independentes, que apontam inconsistências visuais em relação a registros anteriores mais nítidos obtidos a distâncias maiores. Juntos, esses dois movimentos ampliam o debate sobre a verdadeira natureza do 3I/ATLAS e colocam o objeto no centro de uma discussão científica e pública sem precedentes.

O estudo em questão é um preprint intitulado “3I/ATLAS: An Interstellar Crustal Fossil in the M-Relic Framework for Small-Body Evolution”, assinado por AKM Eahsanul Haque, do SETI Institute e da UTP-PETRONAS, e pelo pesquisador independente Ismael Lopez. O trabalho está sob revisão para publicação na revista Earth and Space Science e reúne 15 estudos observacionais sobre o 3I/ATLAS, combinando dados de dinâmica orbital, composição, jatos de gás e evolução térmica para propor um novo enquadramento físico para o objeto. Segundo os autores, o conjunto de evidências indica que o 3I/ATLAS é um corpo denso, metalizado e geologicamente processado, mais próximo de um fragmento de crosta planetária ou de exolua do que de um cometa típico.

No artigo, os pesquisadores destacam uma série de características que desafiam o modelo clássico de “bola de gelo suja”. Entre elas estão uma razão níquel/ferro superior a 10, atividade dominada por dióxido de carbono com perda de massa inferior a 0,01% por passagem, jatos estreitos e colimados, aceleração não gravitacional baixa, rotação rígida e superfície heterogênea, com domínios metálicos e minerais hidratados.

A grande virada do 3I/ATLAS: objeto não é cometa e nova imagem da NASA reforça o mistério| Imagem: Screeshot/EGUsphere

Esses dados foram extraídos e refinados a partir de medições de telescópios terrestres e espaciais, incluindo Hubble, SOHO, ALMA e JWST, além de modelos de longo prazo sobre sobrevivência de fragmentos no espaço interestelar.

A partir desse conjunto, o estudo testa três hipóteses de origem: fragmento de exolua diferenciada, fragmento de crosta sedimentar de um corpo planetário e núcleo cometário frágil. Na tabela comparativa que vem sendo exibida por canais especializados, como a Galeria de Meteoritos, os autores mostram que as duas primeiras hipóteses atendem a todos os critérios observacionais, enquanto a hipótese de cometa falha em pontos-chave como densidade, composição metálica, estreitamento dos jatos, baixa perda de massa e morfologia de cauda. O próprio texto conclui que o 3I/ATLAS é “um corpo não cometário de alta resistência, geologicamente processado”, capaz de sobreviver por bilhões de anos no espaço interestelar. 

Nova imagem divulgada pela NASA

Enquanto esse debate acadêmico avançava, a NASA divulgou em 4 de dezembro uma nova imagem do 3I/ATLAS feita pelo Hubble em 30 de novembro, usando a câmera Wide Field Camera 3. No comunicado, a agência informa que, no momento do registro, o objeto estava a cerca de 286 milhões de quilômetros da Terra. A foto, no entanto, chamou atenção de parte da comunidade de observadores porque, segundo análises independentes, apresenta menor nitidez do que um registro anterior divulgado quando o objeto ainda estava a uma distância maior, o que causou estranhamento entre entusiastas de astrofotografia e canais especializados.

O canal brasileiro Galeria do Meteorito, por exemplo, analisou a imagem em softwares de edição, ampliando a área ao redor do objeto e avaliando níveis de brilho, granulação e artefatos. Na avaliação apresentada em vídeo, o comunicador aponta pixels “estourados” e padrões que considera pouco naturais para um registro bruto do Hubble, levantando a hipótese de que a foto possa ter passado por algum tipo de processamento mais agressivo do que o habitual, ou mesmo conter sinais de composição ou reconstrução digital. Não há, até o momento, qualquer confirmação oficial de manipulação, e as imagens da NASA continuam sendo a referência primária para os estudos profissionais, mas o questionamento se soma ao contexto de incerteza sobre a natureza do 3I/ATLAS.

Foto publicada em 4 de dezembro apresenta padrões incomuns analisados por observadores independentes | Imagem: NASA/Divulgação

Para o público geral, essas discussões técnicas podem soar abstratas, mas elas têm implicações diretas sobre como o objeto é compreendido. Se o 3I/ATLAS for de fato uma “relíquia de crosta interestelar”, como sugere o preprint, isso significa que os telescópios estão observando um fragmento sólido de um corpo geologicamente evoluído de outro sistema estelar, e não apenas um cometa rico em gelo. Isso altera modelos de formação planetária, estatísticas de detritos interestelares e até o planejamento de futuras missões de sondas. Ao mesmo tempo, a percepção de inconsistências em imagens oficiais reforça a importância de transparência total nos dados, especialmente em um momento de elevado interesse público.

Nesse cenário, a combinação entre estudos acadêmicos, observações amadoras de alta qualidade e análises independentes em canais especializados cria uma rede paralela de vigilância científica. Enquanto agências mantêm comunicações mais genéricas e cautelosas, telescópios de pesquisa, astrofotógrafos e divulgadores produzem leituras detalhadas que ajudam a ampliar o olhar sobre o fenômeno. A chave, para quem acompanha o tema, é distinguir claramente o que está consolidado em dados de alta precisão, o que ainda é hipótese em discussão e o que depende de confirmação adicional.

O 3I/ATLAS permanece, portanto, em uma zona de fronteira entre o conhecido e o desconhecido. O estudo da EGUsphere, ainda em revisão, oferece uma base robusta para tratá-lo como um objeto não cometário, possivelmente um fragmento de crosta interestelar. A nova imagem do Hubble, por sua vez, adiciona um elemento de dúvida visual que pode ser esclarecido com a divulgação de mais detalhes sobre o processamento dos dados. Até lá, o objeto segue como um dos casos mais intrigantes da astronomia recente, desafiando modelos tradicionais e reforçando a necessidade de acompanhar o tema com rigor, transparência e espírito crítico.

Continue acompanhando o Âncora1 para mais notícias atualizadas sobre o 3I/Atlas.

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